Bispos › 17/11/2016

O reinado de Cristo no coração do ser humano

 Dom José Gislon – bispo Diocesano de Erexim

Celebramos, neste domingo, a Solenidade de Jesus Cristo Rei do Universo. Talvez muitos tenham dificuldades em entender o título de “rei do universo” dado a Jesus, principalmente na nossa realidade na qual a referência à realeza remete a um passado distante de potência e glória que quase não conhecemos e que pouco ou nada tem a ver com a realeza de Jesus Cristo.

É a cruz o lugar da manifestação da realeza de Cristo, porque sobre ela foi colocada a inscrição com as motivações da sua condenação (Lc 23,38). Por isso, a contemplação da realeza de Jesus deve partir da ambigudom-gislonidade da cruz: patíbulo e trono.

Sobre a cruz, Jesus é rei. Do trono da cruz, Ele manifesta a sua realeza, não na ostentação da potência ou no exercício do poder, mas na doação de si mesmo e do seu perdão. Da história que conhecemos, nenhuma monarquia, nenhum poder político deu a vida pelo povo. Somente Deus o fez e continua fazendo. Deus, tornando-se homem, aceitou a nossa condição humana e frágil que vive a experiência da morte. Na cruz, a história da salvação retorna ao projeto original de Deus. E é a partir da cruz que acontece a plena libertação do mal. Desta libertação, podemos participar se aceitarmos perdoar como fez Jesus.

Podemos dizer que a história da salvação é uma história de amor. No centro dela, foi colocado o ser humano. Deus, com seu amor e sua misericórdia, inclina-se sobre suas angústias e enfermidades e as toma sobre si. Quando Jesus nos convida a tomarmos a nossa cruz e segui-lo, nos convida a participarmos nesta realeza que é o perdão, possível a partir da cruz, porque somente nela o mal foi vencido para sempre e por amor.

A cruz é a revelação da fidelidade de Jesus ao Pai, aos homens e às mulheres e à missão de anunciar o Reino de Deus ao mundo e revelar o rosto da misericórdia do Pai. Na fé, devemos contemplar, no Cristo crucificado, o Deus que anuncia o próprio amor soberano e livre a todos as pessoas humanas. Também para aquelas que não o reconhecem.

 

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