Bispos › 16/11/2017

O rosto de nossa Diocese

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

Realizamos nossa 43º Assembleia Diocesana de Pastoral, nos dias 07 e 08 de novembro. Que rosto nossa Igreja Particular mostrou? Que Igreja queremos ser?

Igreja comunhão e participação. A Diocese quer caminhar na comunhão e participação. A Assembleia Diocesana de Pastoral é parte essencial desta eclesiologia de comunhão. A avaliação realizada partiu das paróquias e foi partilhada e aprofundada na Assembleia. Porém, podemos aqui nos perguntar: quem participou e teve a possibilidade de falar? As pessoas que estiveram presentes são realmente representantes da caminhada pastoral da Paróquia? A metodologia da Pastoral diocesana, que vem sendo trabalhada há anos, supõe a superação do modelo “sócios”, “diretoria” e “presidente”para a existência de conselhos que congregam, sob a presidência do pároco, todas as iniciativas pastorais e administrativas da paróquia. É visível a dificuldade de comunhão paroquial e diocesana quando este Conselho não está organizado. Quando os leigos e leigas se sentem participantes do caminho evangelizador, não são somente executores de tarefas, mas sujeitos eclesiais. Mais uma vez, apareceu o desafio urgente de que todas as paróquias tenham organizado e funcionando o Conselho Paroquial de Pastoral e o Conselho Paroquial de Economia e Administração, com pessoas de fé, que estejam num caminho de formação permanente e num serviço eclesial.

Igreja que forma discípulos missionários de Jesus Cristo. A característica principal do rosto de nossa Diocese, que emerge de nossa Assembleia, é a confirmação da Iniciação à Vida Cristã como o foco, a bússola, o olhar principal de nossa ação evangelizadora. Em todas nossas comunidades e paróquias, temos a necessidade de apostar em tudo o que ajuda nossos batizados a serem bons cristãos, seguidores de Jesus Cristo, discípulos missionários. Este é um caminho inadiável e irrenunciável. Ou somos capazes de oferecer percursos para que nossos cristãos vivam e testemunhem sua fé, a partir do sempre renovado encontro com Jesus Cristo, com sua Palavra, com a Eucaristia e vinculados numa comunidade de fé, ou nossos batizados não terão a alegria de terem a amizade com o Ressuscitado e uma comunidade de irmãos e irmãs. Porque queremos oferecer Jesus Cristo e seu projeto, devemos ter nossos grupos missionários permanentes em cada comunidade, para ir ao encontro e oferecer a Palavra. Porque queremos que a formação seja não somente no período da catequese, desejamos que envolva os jovens, as famílias, grupos de estudo, oração e reflexão.Daqui resulta que nossos investimentos econômicos, nas comunidades, sempre tenham a prioridade de formar pessoas e, somente se sobrar, para obras materiais, como salões comunitários.

Igreja misericordiosa, a serviço da vida. O rosto de nossa Diocese só será verdadeiramente belo quando formos pessoas de fé madura e dermos testemunho desta fé em Jesus Cristo na sociedade. Alegramo-nos por tantas iniciativas que estão funcionando, mas neste ponto precisamos crescer muito. Foi, a meu ver, o maior desafio que se mostrou: nossa presença como “sal” e “luz” na sociedade. Se nossa fé não nos leva a sairmos de nós mesmos, de nosso comodismo e indiferença e irmos ao encontro, com misericórdia, dos mais sofridos, então ela não tem a marca de Jesus Cristo. Temos esperança que o Ano do Laicato nos ajude a crescer na ousadia de testemunhar a fé em todos os ambientes. O que mais podemos e devemos fazer para que os pobres não fiquem esquecidos?

Enfim, o rosto de nossa Diocese será mais belo ainda com o compromisso assumido de caminharmos cada vez mais na comunhão diocesana, evitando a indiferença e o personalismo pastoral. Nossa Senhora de Fátima, modelo de vida cristã, nos inspire e interceda pela nossa Diocese.

 

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