Bispos › 20/10/2016

Outubro, mês das missões

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

Vivemos o Mês das Missões e o Documento de Aparecida nos declara todos como discípulos missionários, em estado permanente de missão: “Conhecer a Jesus Cristo pela fé é nossa alegria; segui-lo é uma graça, e transmitir este tesouro aos demais é uma tarefa que o Senhor nos confiou ao nos chamar e nos escolher” (DAp 18). A origem última de toda missão vem do próprio Jesus Cristo, o grande missionário do Pai das misericórdias. Jesus (= Deus salva) Cristo (= o Messias, o Ungido) declara-se enviado para anunciar o Reino de Deus. Eis o eixo central de sua vida (Mt 6, 33): “Só o reino, por conseguinte, é absoluto, e faz com que se torne relativo tudo o mais que não se identifica com ele” (Evangelii Nuntiandi = EN 8). Com este objetivo claro, Jesus torna-se o primeiro e o maior dos evangelizadores (EN 7). Mas muito cedo convida discípulos para o seguimento, para compartilhar sua nova forma de vida, para colaborar no projeto do Reino de Deus. Recomenda simplicidade no vestir, no alimentar-se e na relação com as pessoas. Ele os envia em missão de forma comunitária, dois a dois (Mc 6, 7-13), com as recomendações de anunciar a proximidade de Deus e curar as pessoas daquilo que as oprime. Seu grande objetivo é a fraternidade universal, onde todos são convidados a se tornarem irmãos/ãs. S. Francisco de Assis entendeu isso profundamente.

O discurso sobre a missão em Mt 10 revela que a missão da Igreja não é outra que a do Filho: “Como o Pai me enviou, assim também eu envio vocês” (Jo 20, 21). Assim a Igreja nasce da ação evangelizadora de Jesus e dos doze. Ela nasce da missão: deve continuar, sob a ação do Espírito Santo (Pentecostes), a propagar a Boa Nova, anunciada por Jesus. O Concílio afirma que “toda a Igreja é missionária, a obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus” (AG 35). Evangelizar a humanidade é a missão essencial da Igreja, entendida como Povo de Deus. Na redescoberta da sua natureza missionária, a Igreja pós-conciliar, normalmente, substitui a palavra ‘missão’ por ‘evangelização’, termo mais bíblico. Como afirma Paulo VI: “Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar” (EN 14). S. Paulo escreve aos Coríntios: “Anunciar o evangelho não é para mim motivo de glória. É antes uma necessidade que se me impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho” (1Cor 9, 16).

Os primeiros a serem evangelizados são os membros da própria Igreja, através de conversão e renovação constantes, a fim de evangelizar com credibilidade e não anunciar a si mesmos, suas teorias ou ideologias (2Cor 4, 5). Os discípulos missionários são colaboradores que proclamam uma Boa Nova: Deus vem para salvar.

Em Mc 6, 7-13 vemos que Jesus está mais preocupado com o que seus enviados devem ser do que com o que devem dizer: “É melhor ser cristão sem dizê-lo do que proclamá-lo sem sê-lo” (Santo Inácio de Antioquia). Na realização fiel dessa missão na Igreja, todos nós, discípulos missionários, necessitamos de espiritualidade missionária, deixando-nos conduzir pelo Espírito no anúncio da Palavra e pelo testemunho.

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