Notícias › 25/09/2017

Pastoral Carcerária promove debate sobre Desencarceramento

Pastoral Carcerária do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoveu 1° Seminário sobre alternativas ao sistema prisional brasileiro e assembleia formativa, de 22 a 24 de setembro, em Porto Alegre (RS).

Seminário na Assembleia Legislativa 

Na manhã do dia 22 de setembro, ocorreu na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, o 1° Seminário sobre Seminário 2017 ALalternativas ao sistema prisional brasileiro. O encontro foi organizado pela Pastoral Carcerária do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos da Assembleia, que propõem uma agenda de desencarceramento para o país.

Segundo o coordenador da Pastoral Carcerária do Regional, padre Edson André Cunha Thomassim, o seminário foi um primeiro passo para fora do mundo eclesial que colocou a Pastoral como protagonista na opinião, postura, projeto e colaboradora com a reflexão da realidade da violência e a penalidade que se encontro o país. “Compreendemos que a solução não é pelo aprisionamento, mas pelo desencarceramento. É criando ações voltadas para a inclusão social e menos criminalização daqueles que são mais excluídos”, avaliou.

Assembleia Estadual da Pastoral Carcerária

Após o Seminário na Assembleia Legislativa os cerca de 60 agentes da Pastoral Carcerária do RS representantes de 15 dioceses participaram de uma assembleia formativa, de 22 a 24 de setembro, na Casa de Eventos das Irmãs Salesianas, em Porto Alegre. A Pastoral Carcerária realiza a cada dois anos uma assembleia eletiva e no ano intermediário uma assembleia para formação.

Carcercária 2017Movidos pelo desejo de uma sociedade sem cárceres presentes trataram sobre a justiça restaurativa, conselhos das comunidades das pessoas presas, adolescentes e jovens que cumprem medidas socioeducativas e a realidade da mulher presa. “Temos uma missão muito grande pela demanda dos espaços prisionais que ainda não temos pessoas para ter acesso missionário. Fizemos um mapeamento visual para provocar em nós a responsabilidade de cada diocese ser multiplicadora da ação junto às realidades prisionais de sua região. Que não seja apenas o trabalho de uma equipe, mas algo assumido enquanto diocese no fortalecimento na rede de evangelização nos cárceres”, destacou padre Edson.

Para o bispo referência da Pastoral Carcerária Regional, dom Liro Vendelino Meurer, a primeira importância do evento é a alegria do encontro. “Aproveitamos o momento para nos avaliarmos, perceber os avanços, desafios e possibilidades de crescimento da Pastoral. Discutimos o sistema prisional com outras entidades, como, por exemplo, a Assembleia Legislativa. O encontro também é para projetar o futuro e vemos com bons olhos a Escola de Perdão e Reconciliação, a justiça restaurativa. Falamos sobre a necessidade de conscientização da sociedade que não vê com bons olhos os presos. A Pastoral Carcerária não é um trabalho agradável, mas uma missão a luz do Evangelho”, lembrou dom Liro.

Necessidade de conscientização

A missão da Pastoral Carcerária nos presídios não se delimita apenas na dimensão da espiritualidade, mas atender e perceber as necessidades das pessoas presas na sua integralidade. Contudo, existe na Igreja e, sobretudo, na sociedade certo preconceito em relação a esta realidade social.

“Nem todos os membros da Igreja têm esta compreensão da dimensão do trabalho da Pastoral Carcerária. Às vezes, numa paróquia, são tantos trabalhos pastorais que a carcerária fica em último lugar. Há a falta de formação para conscientização que esta pastoral é uma presença da Igreja junto aos presos. Temos ouvido nas avaliações que existe o apoio dos bispos e padres, mas falta crescer nessa dimensão pastoral em número de agentes para cumprir essa missão”, avaliou dom Liro.

Realidades da violência e alternativas

O sociólogo Marcos Rolim abordou as realidades da violência e alternativas do sistema prisional, apresentando a sua tese doutoral sobre a etiologia da violência extrema, que fala sobre como os jovens se tornam violentos a ponto de cometer atos de barbárie. Segundo ele, há uma relação entre os níveis de escolaridade e a violência, ressaltando a importância da educação na promoção de uma cultura de paz. Sobre as propostas de descriminalização de drogas e redução da maioridade penal, entre outras. “Não é o uso das drogas que mata; é o tráfico, sustentado pela ilegalidade deste uso”, destacou Rolim.

Massacre Carandiru

Existe a necessidade de um olhar crítico para o cenário carcerário do Brasil. Em 2017 há motivos para um balanço das últimas duas décadas. Em 2017 completa 25 anos do Massacre de Carandiru (02 de outubro de 1992). Nesses 25 anos podemos lançar uma pergunta: o que esse encarceramento de mulheres e homens trouxe de melhorias e avanços para a sociedade no tema da segurança e da criminalidade? O Brasil vive numa política de encarceramento em massa. Em 1990 eram 90 mil presos no país. Atualmente, ultrapassa o número de 650 mil presos. Nenhum país em desenvolvimento tem tantos presos como no Brasil.

IMG_1544De acordou com assessor Pastoral Carcerária Nacional, Marcelo Naves, nos últimos anos no Rio Grande do Sul tem crescido a população presa em 7% em relação a média nacional. Da mesma forma tem aumentado o número de mulheres encarceradas.  Cerca de 80% da população presa está enquadrada em crimes contra o patrimônio ou entorpecentes. Além disso, são jovens, negros, pobres e com baixa escolaridade. Isso revela a inexistência e ineficácia de políticas sociais.

Ainda, durante o encontro, refletiram sobre o Ano do Laicato (2018), Campanha da Fraternidade (2018), Pastoral do Menor, a realidade da violência e alternativas ao sistema prisional e Agenda Nacional pelo Desencarceramento, Celebração em Aparecida. Trataram também sobre a formação nas províncias eclesiásticas, reunião com coordenares diocesanos, Assembleia Estadual em 2018 e comunicações.

Por Judinei Vanzeto – Assessoria de imprensa Regional Sul 3 da CNBB

Fotos: Nice Diedrich Schroeder e Judinei Vanzeto

 

 

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