Destaques › 24/08/2017

Pastoral da Criança atende cerca de 33 mil crianças no Rio Grande do Sul

CunicoA assessoria de imprensa do Regional Sul 3 (Igreja do Rio Grande do Sul) da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) conversou com Ednilson Cunico, Mestre em Educação pela PUC/SP e Assessor Técnico da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança, por ocasião de sua visita ao Rio Grande do Sul, ocorrida nos dias 7 a 11 de agosto de 2017. Confira entrevista:

O que a assessoria técnica da Pastoral da Criança realiza?

 Faço parte da Coordenação Nacional da Pastoral da Criança e presto assessorias às dioceses. Vamos às dioceses para conhecer o relato de cada uma e apresentar a estrutura que existe na sede nacional, em Curitiba, para colocá-la à disposição. Trazemos relatórios com indicadores e tentamos programar algumas ações para que aumente o acompanhamento das crianças. Prestamos assessorias para as coordenações nas dioceses.

Qual o desafio da Pastoral da Criança hoje?

 Aumentar os operários porque a messe é grande. Estamos sempre em busca de novos voluntários, pessoas que possam assumir essa missão. Dentro dessa dinâmica sempre temos novidades, como, por exemplo, nos anos 80 a ação da Pastoral da Criança estava voltada para a desnutrição, a pobreza, a falta de acesso à saúde, as condições pouco favoráveis de moradias. Hoje não existe muitas crianças desnutridas. Mas existe o outro extremo que é a obesidade infantil. Para isso criamos estratégias para amenizar essa realidade infantil. Incentivamos hortas caseiras, alimentação enriquecida com aproveitamento de alimentos e outras tantas ações.

Como as famílias acolhem o atendimento oferecido pela Pastoral da Criança?

 Aquilo que é desconhecido sempre tem um pouco de resistência. Mas na medida que vamos apresentando às famílias aquilo que a pastoral faz e como trabalha, elas vão abrindo as portas. Criam confiança com o líder que vai visitar e com isso assimilam e aderem à proposta. Temos muitas mães que foram atendidas quando crianças que se tornam líderes da pastoral. Na medida que as famílias vão conhecendo a metodologia, a aceitação do projeto é maior.

Quais as alegrias da Pastoral da Criança no Rio Grande do Sul?

 A alegria é que estão aparecendo gente nova. Estão percebendo que o trabalho voluntário é gratificante. É um trabalho prazeroso para a pessoa. Na medida que vai aderindo, a pessoa se sente muito mais útil na comunidade. Fortalece o vínculo comunitário. Hoje as pessoas buscam no dia a dia o sustento pelo seu próprio trabalho e caem, muitas vezes, no automático. E o contato com o trabalho voluntário tem um prazer muito maior. Temos percebido isso nas pessoas. Tem muitos jovens que querem conhecer a pastoral e doar um pouco de seu tempo para famílias que eles não conhecem.

Falando em juventude, que apelo faria aos jovens gaúchos?

A Pastoral da Criança está de braços abertos para acolher a juventude. Nós temos um trabalho bastante interessante para a juventude, na pastoral. É o que chamamos de ‘Brinquedos e brincadeiras’. Essa é uma ação que a juventude tem aderido. Na Celebração da Vida, que é quando as famílias se reúnem para ver a medida e o peso das crianças, os jovens organizam brincadeiras com as crianças e adultos. Penso que o pessoal que está saindo do Crisma e quer fazer um trabalho comunitário, poderia procurar a Pastoral da Criança, que está de braços abertos para acolhê-los.

A Pastoral da Criança tem alguma novidade para apresentar?

 A novidade que estamos trazendo é o aplicativo Visita Domiciliar. As líderes da pastoral, quando faziam a visita, iam anotando num caderno algumas informações, quantidade de crianças, alguma doença que apresentavam naquele mês. Isso tudo era apresentado num caderno. Depois elas passavam a uma outra folha que chamamos de Acompanhamento. Essa folha era envida para Curitiba. Agora foi desenvolvido um aplicativo para celular. Com o aplicativo, a líder faz a visita à família e preenche os dados no próprio celular e na hora envia para Curitiba. Ao chegar em nosso sistema as informações ficam online. As informações nos ajudam a programar novas ações, formações e perceber as deficiências.

O aplicativo já está disponível?

Temos todas as orientações dentro da revista da Pastoral da Criança. Também tem as orientações em nosso site. Pode ser baixado pelas lojas normais de App ao digitar: Visita Domiciliar – Pastoral da Criança. Ali tem as informações para cadastramento. O pessoal da Pastoral da Criança já pode baixar e usar. Havendo qualquer problema é só entrar em contato conosco pelo site que vamos esclarecer as dúvidas.

As vezes algumas pessoas têm pouca habilidade com celular. Como fazer para usar o App?

Quando fazemos enquete sobre uso das redes sociais muitas pessoas levantam a mão. Usam muito o Facebook. Para utilizar o nosso App é preciso ter acesso a rede de internet. Em muitas comunidades os padres estão liberando a senha de wifi para as líderes da pastoral. Isso tem colaborado muito. Há cidades que no centro tem sinal de internet gratuito.  O celular tem que ter condições para baixar App. Por sinal não temos encontrado tanta resistência. Muitas senhoras estão começando a manejar o celular a partir do uso do App, que é intuitivo.

Nos dados nacionais, olhando para o Rio Grande do Sul, o que chama atenção?

Em relação ao ano passado para cá o grande desafio é manter os voluntários. O número de voluntário não alterou muito. No Rio Grande do Sul são 32.609 crianças acompanhadas. A diocese que mais acompanha é Santo Ângelo, com 5.500 crianças sendo acompanhadas. Somando os líderes capacitados, com o curso de 50h, e o pessoal de apoio, no dia da Celebração da Vida, temos no RS 5.700 voluntários. Das crianças atendidas cerca de 10% delas são de extrema pobreza. A Pastoral da Criança atua em 304 paróquias e atende 1.295 comunidades gaúchas. Totalizando 27.900 famílias acompanhadas no RS.

A Pastoral da Criança é a “Igreja em saída”?

A Pastoral da Criança vai ao encontro e, geralmente, atende famílias que não frequentam a Igreja Católica e participam de outras denominações. Os atendimentos acontecem, principalmente, nos bolsões de pobreza onde a própria Igreja Católica não consegue chegar. A pastoral é um órgão da CNBB e realiza um trabalho ecumênico. Não fazemos distinção no quesito de religião. Ali formamos uma comunhão com pastores que querem conhecer o trabalho da Pastoral da Criança. Somos uma pastoral da Igreja Católica, mas desenvolvemos uma ação em conjunto com as demais igrejas quando há abertura e desejo de comunhão.

Quem financia a Pastoral da Criança?

A Pastoral da Criança é financiada através de um grande convênio com o Ministério da Saúde desde 1986. Tem outras empresas que fazem doações, mas são esporádicas. Em alguns Estados temos a parceria com a companhia de distribuição elétrica, onde é descontado do usuário R$ 1 ou 2 reais na conta de luz, destinado para a Pastoral da Criança. No Rio Grande do Sul ainda não temos esse tipo de parceria. Esse é um sustento muito interessante. Mas a maior força mesmo vem da comunidade através de benfeitores. Precisamos muito de recursos para investir na formação de lideranças. Alguns párocos colaboram com recursos para organização da Celebração da Vida.

Qual a finalidade da Campanha dos Reis Magos?

No Rio Grande do Sul temos motivado a Campanha dos Reis Magos. Algumas dioceses estão fazendo. A sua finalidade é angariar recursos para enviar à Pastoral da Criança Internacional, principalmente, para Guiné-Bissau, Angola e Haiti, que estão precisando de apoio. Essa campanha acontece em conjunto com as crianças da catequese, na época de Natal. Elas vão até as famílias e comunidades e levam uma mensagem, fazem uma inscrição de bênção na residência e recebem doações espontâneas. Essa foi uma ideia que recebemos da Alemanha. Todos os bispos foram comunicados sobre a campanha porque pensamos numa pastoral de conjunto. Para saber mais sobre a ação é só entrar em contato com a coordenação regional da Pastoral da Criança, pois temos material de divulgação e orientações.

O que mais gostaria de dizer?

Nós estamos divulgando bastante a Pastoral da Criança para que ela chegue nos lugares onde realmente as pessoas necessitam. Há muitas crianças no Rio Grande do Sul em situação de vulnerabilidade social e sabemos que uma orientação pode mudar a vida delas. Ficamos na torcida para que a pastoral seja divulgada e mais pessoas venham somar como voluntário.

 

Entrevista concedia ao jornalista Judinei Vanzeto – Assessoria de Imprensa do Regional Sul 3 da CNBB.

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