Destaques › 24/09/2017

“Precisamos assumir a Iniciação à Vida Cristã e termos claro que a Palavra de Deus é a alma daquilo que somos e fazemos”, afirmou dom Jacinto

Dom Jacinto entrevistaDom Jacinto Jacinto Bergmann, arcebispo de Pelotas e referencial da Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética do Regional Sul 3 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), concedeu entrevista à assessoria de imprensa regional sobre: a Animação Bíblico-Catequética na Igreja do Rio Grande do Sul.

Confira entrevista:

 Qual o objetivo do encontro com as coordenações diocesanas de catequese?

Realizamos um encontro (nos dias 13 e 14 de setembro, em Porto Alegre) no segundo semestre de cada ano com o objetivo de envolver todas as coordenações diocesanas e também outras pessoas envolvidas no ministério catequético. Este ano aproveitamos para aprofundar o tema sobre “Catecumenato e a paróquia”, assessorado por frei João Fernandes Reinert, da diocese de Nova Iguaçu (RJ). Ele falou da relação do catecumenato com a paróquia e da paróquia com o catecumenato. Isso nos ajudou muito porque sem este processo catecumenal não temos uma paróquia nova. Uma paróquia nova supõe um catecumenato assumido com toda sua força. Foi uma reflexão muito boa e temos que apostar em paróquias novas. Só teremos essas paróquias novas se assumirmos esse processo que resulta numa verdadeira iniciação à vida cristã. Precisamos de cristãos iniciados em Jesus Cristo, numa experiência com Ele, para termos comunidades vivas, onde Cristo se torna nosso Caminho, Verdade e Vida.

A renovação passa pela conversão pessoal e comunitária? Como se dá esse processo?

 Passa por uma conversão pessoal e comunitária, mas também por uma conversão pastoral. Nesse processo de conversões vamos ter pessoas iniciadas em Jesus Cristo, uma construção de comunidade e uma evangelização mais apropriada para os tempos de hoje. Estamos vivendo numa mudança de época. Há uma inversão de valores fundamentais e nós precisamos realmente fazer com que as pessoas se encontrem de novo com Deus. Essas conversões vão juntas. Sem uma conversão pessoal não chegamos a uma conversão comunitária. Ambas devem provocar uma conversão pastoral.

O que dizer sobre a catequese para as novas gerações digitais?

As novas gerações vivem virtualmente e precisamos ir ao encontro dessa demanda. Com alegria posso dizer que estamos com um projeto que vai ao encontro desse mundo virtual. É o Projeto Lectionautas. Inclusive nesse encontro com as coordenações tivemos um tempo para capacitação, que consiste em fazer a leitura orante da Palavra de Deus através da internet. Recebeu o nome de Lectionautas por fazer referência a leitura orante. Nós teremos uma capacitação no próximo mês de novembro na Diocese de Novo Hamburgo. Participarão cerca de 10 jovens de cada diocese nessa capacitação. Esse é um projeto em andamento em toda a América Latina e está ligado ao Celam (Conselho Episcopal Latino-Americano). No Brasil está ligado a CNBB. Penso que vale a pena investir na juventude que vive neste mundo virtual e fazer com que eles cheguem a fazer uma experiência com Jesus Cristo.

 Existe alguma preocupação da catequese em envolver toda a família?      

Temos que nos dar por conta que não há mais bons alicerces na transmissão da fé. Entre esses alicerces: a família. Ela era a primeira educadora na fé e hoje muitas famílias não consegue mais oferecer uma iniciação à vida cristã. Mas temos que apostar na família. Sem ela não conseguiremos fazer com que a fé chegue às crianças desde o seu nascimento. Se a família hoje não consegue mais fazer isso, então, temos que trabalhar com ela para que volte a transmitir a fé. Nesse processo de iniciação à vida cristã, precisamos envolver toda a família.

Qual a importância da acolhida?

A acolhida é o primeiro passo, pois sem ser acolhido o nosso coração não se abre para Jesus Cristo. No episódio dos discípulos e Emaus o primeiro passo foi eles terem acolhido Jesus para caminhar. Jesus também os acolheu indo ao encontro das suas perguntas mais profundas. Em ambos os lados houve acolhida e aconteceu o processo de conversão. A acolhida é fundamental, ela é o primeiro passo. Sempre digo: “Quem acolhe bem é parecido comIMG_1511 Deus”. Ele é a acolhida por excelência. Sem acolhida Deus não tem espaço na nossa vida.

E o documento 107 da CNBB sobre a “Iniciação à Vida Cristã”, o que o senhor gostaria de dizer?

Em primeiro lugar que bom que como Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, nós, assumimos essa temática. Hoje sem uma iniciação à vida cristã para valer, não conseguiremos mais uma transmissão da fé e fazer com que as pessoas tenham uma experiência pessoal com Jesus Cristo. A Conferência, ao assumir essa temática, está apostando nesse processo catecumenal da iniciação à vida cristã. O documento é uma grande ajuda para entender o processo e assumirmos para valer essa necessidade do nosso tempo. O documento 107 é uma graça de Deus para a Igreja do Brasil.

Como o documento 107 vai chegar em todas as comunidades?

A grande preocupação é fazer com que ele chegue de fato nos corações das pessoas e nas comunidades. Alguns documentos pela temática chegam mais facilmente e é o caso do documento 107. Ele já foi estudando em nível de presbíteros e lideranças pastorais. As dioceses estão preocupadas para que este documento chegue ao coração de todos os fiéis através de estudos, encontros e reflexões. Se não fizermos isso, o documento não terá sua eficácia.

Que avaliação o senhor faz das prioridades assumidas pelo Regional Sul 3 em torno da Animação-Bíblico Catequética?

Com alegria eu posso dizer que, de fato, as nossas dioceses do Regional assumiram essas duas dimensões. O que está acontecendo nas dioceses em torno da iniciação à vida vristã é algo de louvarmos a Deus. Da mesma forma a Animação bíblica da vida pastoral. Cada vez mais percebemos que a Palavra de Deus está encontrando seu lugar graças a consciência das dioceses através das coordenações pastorais. Essas duas dimensões estão no coração de nossos bispos. Os bispos assumiram e estão trabalhando junto ao seu povo nas Igrejas Particulares. Estão apostando e investindo recursos para que aconteça uma verdadeira iniciação à vida cristã. Nossa Comissão Regional de Animação Bíblico-Catequética está incrementando pessoas que olhem juntas a catequese e a Bíblia. Tivemos uma reunião com e estamos somando e fundindo as duas dimensões. A Bíblia é o livro da catequese e a alma de toda pastoral.

Dom Jacinto, uma mensagem para a Igreja do Rio Grande do Sul reunida em torno da Palavra de Deus.

Quando, realmente, estamos preocupados com as pessoas e a sua felicidade temos que apostar na iniciação à vida cristã. Não podemos achar que hoje as pessoas têm uma cultura cristã. No tempo da cristandade havia uma cultura cristã, mas hoje não existe mais. Por isso, temos que apostar na iniciação à vida cristã e fazer com que as pessoas voltem a Jesus Cristo. Quando falamos em cultura cristã significa o modo de ver e viver como Jesus nos propõem, isto é, a salvação e a felicidade. Precisamos, urgentemente e com toda força, assumir a iniciação à vida cristã e termos claro que a Palavra de Deus é a alma daquilo que somos e fazemos. Portanto, uma verdadeira animação bíblica da vida e da pastoral. É a Palavra de Deus que nos dá uma dimensão de felicidade neste mundo que está meio perdido. Nós precisamos de um caminho certo; uma verdade segura, precisamos de uma vida plena que é Jesus Cristo!

Entrevista concedida ao jornalista Judinei Vanzeto – Assessoria de imprensa do Regional Sul 3 da CNBB

 

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