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Profeta da esperança

 

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Dentro das festas populares deste mês de junho, a de João Batista tem manifestações que envolvem muitas comunidades e instituições, com características marcantes, segundo as regiões do nosso imenso Brasil. Num misto de espiritualidade e folclore, a alegria contagia os pequeninos, os jovens e os adultos, nesta festa que nos recorda um casal agraciado por Deus, com o nascimento de João Batista.

Ele foi o último e o maior de todos os profetas. E teve a difícil missão de preparar o povo da Antiga Aliança, para o encontro com o Senhor Jesus. A força de seu temperamento transparecia na austeridade com que conduzia a própria vida e na franqueza de suas palavras. A sua vocação profética, desde e ventre materno, é cercada de eventos extraordinários, que prepararam o nascimento de Jesus.

João Batista foi escolhido por Deus para uma missão, mas precisou refletir e compreender o mistério do seu chamado e da sua vocação, sem muitas vezes saber ao certo para onde Deus o conduzia. O que consolava João Batista era saber que a sombra da mão de Deus o protegia, e nos momentos mais difíceis, quando o desânimo batia à porta do seu coração, o que lhe dava forças era saber que no Senhor estava a sua recompensa. Confiava mais na fidelidade a Deus do que nas próprias forças. Confiava em quem lhe deu a vocação e o enviou em missão, consciente de que abandonar a sua vocação seria abandonar o próprio Deus e trair a si mesmo.

A figura profética de João Batista e de seus pais, Zacarias e Izabel, ainda hoje nos dá testemunho da força da oração, da esperança e da confiança na providência de Deus. A espera, a oração, a súplica e a fidelidade, marcaram a vida daquele casal, que foi ouvido e recompensado pelo Senhor com o nascimento de João Batista. Do que era visto como castigo de Deus, o Senhor fez brotar a vida; da que era estéril, nasce o maior dos profetas.

A figura profética de João Batista, que está presente no imaginário coletivo e na religiosidade popular do nosso querido povo de Deus, é a do homem da austeridade, que vivia no deserto, vestia-se de forma austera e alimentava-se daquilo que a natureza lhe oferecia. O deserto, além de ser um lugar de solidão e de vazio, é também um lugar onde falta o fundamental para viver: a água, a vegetação e, muitas vezes, a companhia de outras pessoas. Mas o deserto pode ser também o lugar onde, no silêncio e na solidão, podemos encontrar a nossa imagem mais verdadeira. Onde podemos contemplar o infinito e nos confrontar com as nossas fragilidades, como o grão de areia levado pelo vento e a solidez da rocha. No deserto, João Batista pode ver, contemplar e anunciar a presença de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

 

 Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul