Bispos › 02/03/2017

Quaresma e Campanha da Fraternidade

Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta

Na Quarta-feira de Cinzas, ao recebermos a imposição das cinzas, assumimos o convite da Igreja para um caminho de intensa espiritualidade que nos prepara para a celebração da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor. É um forte convite à conversão, expressa nas palavras dirigidas a cada cristão: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. O caminho quaresmal, pensado para ser um tempo de purificação para aqueles que irão ser batizados na celebração da Vigília Pascal, conduz os já batizados a renovarem sua adesão a Jesus Cristo, a acompanhar os seus passos e assimilar seu jeito de viver e entregar a vida, até a morte e morte de cruz. A observância e atualização do sentido do jejum, oração e caridade ajudam a reconhecer nossos pecados, acolher a misericórdia de Deus e aguçar o olhar misericordioso com os irmãos. Desejamos chegar na Vigília Pascal mais convictos de nossa fé, mas seguros na esperança e vivendo a caridade e, assim, renovarmos solenemente nosso batismo.

No contexto quaresmal, todos os anos, a Igreja no Brasil propõe a Campanha da Fraternidade. “Quer ajudar a construir uma cultura da fraternidade, apontando os princípios de justiça, denunciando ameaças e violações da dignidade e dos direitos, abrindo caminhos de solidariedade.” (Texto Base CF 2017, n.19). Assim, a Campanha da Fraternidade não se sobrepõe ou substitui a espiritualidade quaresmal, pois a conversão quaresmal é um voltar-se para Deus, para si mesmo, para o próximo e para a toda a criação na qual estamos inseridos. O tema proposto para este ano é “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida.” O lema é tomado do livro do Gênesis: “Cultivar e guardar a criação” (Gn 2,15). O olhar se volta para os seis biomas presentes no Brasil: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal. Conforme o IBGE, um bioma é “um conjunto de vida (animal e vegetal) constituído pelo agrupamento de tipos de vegetação contíguos e identificáveis em escala regional, com condições geoclimáticas similares e história compartilhada de mudanças, o que resulta em uma diversidade biológica própria”. (Texto Base CF 2017, n. 4).

Nossa Diocese de Cruz Alta está situada nos biomas Pampa e Mata Atlântica. Precisamos conhecer suas características, a multiplicidade de vida aí presente e nos conscientizarmos da necessidade de cuidar e guardar este presente de Deus. Esta foi a missão que Deus deu ao homem e à mulher ao criá-los e colocá-los no jardim (cf. Gn 2,15). Deviam aprender a conviver em harmonia com o Criador, com os irmãos e com tudo o que Deus tinha criado. Tinham recebido, inclusive, uma proibição: não comer do fruto da árvore do bem e do mal (cf. Gn 2,16-17), caracterizando, assim, que o ser humano não é o Criador e que não tem o direto de dispor da criação segundo sua vontade. Para isso, somos convidados a uma “conversão ecológica”, como nos pede o Papa Francisco, o que supõe um novo olhar, uma nova postura, novos hábitos e um processo de educação para um estilo de vida respeitoso com a natureza e com os irmãos. O que foi feito dos biomas Pampa e Mata Atlântica nas áreas em que habitamos? Como estamos cuidando para que não sejam totalmente invadidos pelo agronegócio? A criação, obra de Deus, a Ele pertence. O ser humano, criado à sua imagem e semelhança, recebeu dele uma importante missão, de conviver harmonicamente e tudo cuidar e guardar.

Desejo a todos os diocesanos uma intensa caminhada quaresmal. Aprofundemos nossa fé batismal. Vivamos a misericórdia. Participemos dos encontros nos grupos em preparação à Páscoa. Estudemos o tema proposto pela Campanha da Fraternidade.

 

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