Reflexão e celebração: Igreja Católica no RS abre a Campanha da Fraternidade 2026 e dioceses realizam ações concretas
Com o objetivo de incentivar os católicos e toda a sociedade a “promover, a partir da Boa Nova do Reino de Deus e em espírito de conversão quaresmal, a moradia digna como prioridade e direito, junto aos demais bens e serviços essenciais a toda a população”, a Igreja Católica presente no Rio Grande do Sul abriu a Campanha da Fraternidade 2026. Neste ano, a CF aborda o tema: “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14).
Em diversas partes do estado, as arqui/dioceses promoveram atividades na Quarta-feira de Cinzas, 18 de fevereiro. Promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), há 62 anos, a Campanha da Fraternidade acontece em toda a Igreja Católica no país, tendo seu ponto alto sempre no tempo da Quaresma.
Coletivas de imprensa, programas de rádio e Missas marcaram o início da CF que aborda a moradia digna como direito de todo o ser humano.
Abertura Regional em Santa Maria, com bênção ao projeto “Pão da Vida”

Desde Santa Maria, o presidente do Regional Sul 3 da CNBB, dom Leomar Brustolin, deu a abertura estadual à Campanha da Fraternidade. O ato foi realizado na Igreja São Marcelino Champagnat e contou com a bênção e inauguração do projeto “Pão da Vida”, no bairro Nova Santa Marta.
O espaço é destinado a um projeto de panificação comunitária voltado a famílias em situação de vulnerabilidade social. A proposta busca capacitar os participantes para a produção do próprio alimento, fortalecendo a segurança alimentar e abrindo caminhos para futura geração de renda. A ação social vai funcionar uma ou duas vezes por semana, inicialmente com a participação de cerca de 60 famílias da comunidade.
Durante a inauguração, Dom Leomar destacou a missão concreta da Igreja junto às realidades mais frágeis: “É função da Igreja rezar, mas também cuidar de onde as pessoas estão e do que elas precisam. Por isso, não há lugar melhor para inaugurarmos este projeto do que na Nova Santa Marta”.
Na Diocese de Caxias do Sul, coletiva de imprensa para apresentar mapeamento e campanha da Cáritas

Na Diocese de Caxias do Sul, a abertura aconteceu com a tradicional coletiva de imprensa, no Espaço Mater Dei, da Catedral Diocesana. Pela manhã, o bispo, dom José Gislon, e o coordenador da Ação Evangelizadora, padre Leonardo Inácio Pereira apresentaram as ações da CF.
Em sua fala, Dom José enfatizou que a Quaresma é um tempo de conversão espiritual individual e comunitária. “Eu faço um apelo a todos: vamos viver o tempo quaresmal deixando que a Palavra de Deus realmente toque o nosso coração, o nosso agir, e nos envolva numa caminhada de conversão espiritual sem fechar os olhos à realidade de exclusão que toca a nossa realidade aqui na Serra Gaúcha. Um país só muda quando nós também mudarmos nosso modo de ver a realidade social, nosso modo de ver a exclusão social e nos sentirmos comprometidos com o bem-estar dos nossos irmãos e irmãs”.
Para embasar as ações da Campanha Fraternidade, a Diocese de Caxias do Sul realizou um levantamento diagnóstico das 32 cidades que compõem sua área de abrangência. A pesquisa quer mapear a realidade e entender como a Igreja pode, efetivamente, ajudar os municípios.
Padre Leonardo, que também é diretor da Cáritas, lançou, na coletiva de imprensa, a Campanha de Inverno “Sinais de Esperança: solidariedade que aquece”. A iniciativa vai acontecer de 25 de fevereiro a 25 de julho, focada na arrecadação de alimentos não perecíveis, agasalhos, cobertores e fraldas. As doações podem ser entregues diretamente nas secretarias paroquiais, matrizes e comunidades. “As paróquias já realizam esse trabalho, mas agora adotamos uma linguagem comum para dar mais força à ação de ajudar quem sofre com o frio e a fome”, destacou padre Leonardo.
Diocese de Osório abre CF em ação integrada com as emissoras de rádio
Na Diocese de Osório, lançamento aconteceu durante programa especial gerado nos estúdios da Rádio Itapuí, em Santo Antônio da Patrulha, com transmissão simultânea pelas emissoras parceiras do Litoral Norte gaúcho: Rádio Maristela (Torres), Rádio Tupancy (Arroio do Sal), TOM Web Rádio (Terra de Areia), Rádio Comunitária de Tramandaí, Rádio Clube do Povo de Três Forquilhas e Rádio Comunitária de Osório. A programação teve duração de 55 minutos e foi acompanhada por meio das redes sociais.
Participaram do debate o bispo diocesano, dom Jaime Pedro Kohl, o assessor eclesiástico para as Pastorais Sociais, frei Wilson Dalagnoll, o coordenador diocesano de Pastoral, padre Luciano Motti, o padre Ildomar Ambos Danelon, a professora de História e Geografia Sônia Dalmar e o defensor público da Comarca de Torres, Rodrigo Noschang.
Dom Jaime ressaltou que a capilaridade da Igreja, por meio de comunidades, pastorais e grupos, permite que o debate alcance diferentes realidades, promovendo conscientização e compromisso concreto. A Diocese anunciou ainda uma série de entrevistas para aprofundar o tema nas próximas semanas, com transmissões simultâneas pelas rádios Maristela e Itapuí.

Segundo o bispo, a cada ano a Igreja parte da espiritualidade da Quaresma, tempo de jejum, oração e caridade, para iluminar desafios concretos da sociedade brasileira. “A questão central é a fraternidade. A moradia aparece como um direito fundamental que precisa ser garantido a todos”, afirmou.
O programa foi encerrado com a oração oficial da Campanha da Fraternidade 2026 e a bênção final concedida por Dom Jaime, marcando o início de um período de reflexão que une espiritualidade e compromisso social em todo o Litoral Norte gaúcho.
Encontro com agentes das pastorais sociais marca abertura da CF 2026 em Montenegro

Na manhã da Quarta-feira de Cinzas, na Cúria de Montenegro, aconteceu a abertura da Campanha da Fraternidade 2026. O encontro, que tradicionalmente é realizado no início do Tempo da Quaresma, reuniu agentes das pastorais sociais e padres para refletir o tema da moradia.
Durante a programação, o bispo diocesano e secretário do Regional Sul 3, dom Carlos Romulo destacou o impacto das enchentes de 2023 e 2024 na região, lembrando o drama de famílias que perderam suas residências. Segundo ele, muitas ainda vivem em estruturas provisórias, como containers, em condições frequentemente insuficientes.
A reflexão apontou a necessidade de ações concretas que contribuam para melhores condições de vida, especialmente para as populações mais vulneráveis. Dados apresentados no encontro apontam que cerca de 6,2 milhões de famílias não possuem moradia adequada e aproximadamente 328 mil pessoas vivem em situação de rua.
O coordenador da Ação Evangelizadora, padre Jonas Gomes, relacionou o tema ao período quaresmal, destacando o convite à conversão e ao compromisso social: “Iniciando o tempo da Quaresma, tempo de conversão, somos provocados a mergulhar no tema da moradia, olhando a nossa volta, nossa realidade e pensando como podemos agir em prol das pessoas que sofrem por não ter moradia digna. Nosso corpo é uma morada: morada de Deus, um lugar onde deve habitar o Espírito Santo. Que o nosso modo de viver em Deus, possa ajudar o espaço em que habitamos ser de Deus”.
Arquidiocese de Passo Fundo reuniu a imprensa na abertura da CF 2026

Na Arquidiocese de Passo Fundo, o lançamento foi realizado no Centro de Pastoral e Cúria Metropolitana com uma coletiva de imprensa. Os comunicadores foram recebidos na Quarta-feira de Cinzas pelo arcebispo, dom Rodolfo Luís Weber e pelo coordenador da Ação Evangelizadora, padre Mateus Danieli.
Na ocasião, dom Rodolfo apresentou o tema da Campanha da Fraternidade 2026. Ele destacou que a temática não visa encontrar culpados sobre o problema, mas despertar o olhar da comunidade para perceber como está a situação da moradia nas cidades, bem como o direito de morar em um lugar digno e as políticas públicas necessárias que auxiliem os mais necessitados.
Ainda, dom Rodolfo mencionou que a temática da moradia é iluminada pela vida de Jesus e as relações que ele estabeleceu nos lares que foi acolhido ou rejeitado. No final da coletiva de imprensa, padre Mateus mencionou que a Arquidiocese de Passo Fundo vai realizar nove seminários da Campanha da Fraternidade nas áreas pastorais, envolvendo comunidades, professores, formadores de opinião, para apresentar o tema e encontrar alternativas para enfrentar os problemas reais que existem em cada realidade.
A Igreja também vai apresentar algumas sugestões como a adoção de uma casa por grupos afins, para realizar melhorias, construção de um banheiro, uma pintura, oferecer material para que os moradores se envolvam no processo de reforma, a participação nos conselhos municipais de habitação para fiscalizar os projetos habitacionais e urbanos etc.

Diocese de Cruz Alta reúne a imprensa na abertura da Campanha da Fraternidade
Na manhã da quarta-feira 18 de fevereiro, a Cúria Diocesana de Cruz Alta, sediou uma coletiva de imprensa para o lançamento oficial da Campanha da Fraternidade 2026. O encontro reuniu representantes dos meios de comunicação do município e foi conduzido pelo bispo diocesano, dom Nélio Domingos Zortea, pelo coordenador diocesano da Ação Evangelizadora, padre Aldecir Corassa, e pela coordenadora diocesana da Cáritas, Cinara Dornelles.
Missa e visita à Tua Rádio Fátima marcam o início da Quaresma e da CF em Vacaria
Na Quarta-feira de Cinzas, a Diocese de Vacaria deu início ao tempo da Quaresma com a celebração da Santa Missa com imposição das cinzas, na Catedral Nossa Senhora da Oliveira. A celebração, presidida por dom Silvio Guterres Dutra, contou com a participação de um grande número de fiéis e marcou também a abertura oficial da Campanha da Fraternidade 2026

Em sua homilia, Dom Silvio destacou a importância da Campanha da Fraternidade neste tempo quaresmal, ressaltando que a vivência da fé deve estar unida ao compromisso concreto com a realidade social.
No mesmo dia, o bispo concedeu entrevista à Tua Rádio Fátima, de Vacaria, onde aprofundou o significado da proposta deste ano. Segundo ele, a Campanha une conversão pessoal e compromisso social, chamando atenção para o déficit habitacional brasileiro, que atinge cerca de seis milhões de famílias.
O bispo ressaltou que o problema envolve moradias precárias, falta de infraestrutura básica e o crescimento da população em situação de rua, estimada em mais de 300 mil pessoas no país. Em Vacaria, citou a atuação da Casa Fratelli Tutti e parcerias com o poder público para acolhimento e pernoite de pessoas vulneráveis.
Dom Silvio defendeu soluções comunitárias, como cooperativas habitacionais e mobilização social, e reforçou que a Igreja não pode se omitir diante das injustiças.
Com informações das Assessorias de Comunicação e Pastorais da Comunicação das Dioceses