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São Pedro, a imagem de cada um

 

O mês de junho é conhecido por nos recordar alguns dos santos mais populares e de especial participação na historia da salvação. Entre eles está o apostolo Pedro. Pedro é a imagem de cada um de nós. Por bem mais de três vezes nós já negamos Jesus; já nos omitimos em falar d’Ele; já nos recusamos a trabalhar para Ele, seja por comodismo, seja para não corrermos o risco de sermos criticados pelas pessoas. Assim como Pedro, nós nos sentimos tentados a abandonar a missão que Jesus um dia nos confiou, ou a desempenhá-la por nós mesmos, sem uma união profunda com o Senhor por meio da oração. E quando fazemos isso, fracassamos.

Atualizando um pouco mais o diálogo de Jesus com Pedro (cf. Jo 21) nós poderíamos nos perguntar: O que há de errado com a nossa vida? Por que aquilo que estávamos habituados a fazer não funciona mais? Por que, apesar de estarmos trabalhando para Jesus, nos sentimos às vezes fracassados em nosso trabalho? O problema é que muitas vezes nós fazemos as coisas por nós mesmos, a partir de nós e não de Jesus; porque trabalhamos para Jesus sem a convicção de que Ele está junto de nós. Talvez Jesus pode ter chegado aos nossos ouvidos, mas ainda não no nosso coração.

Na medida em que a palavra de Jesus Ressuscitado penetrou no coração dos discípulos e eles a obedeceram, as redes se encheram de peixes (cf. Jo 21,6). Mas o objetivo de Jesus era devolver o vigor e a fidelidade ao coração de Pedro. Como Pedro representa cada um de nós, é ao nosso coração que Jesus se dirige. Interessante é que Jesus não pergunta se nós cremos n’Ele e sim se O amamos.  O amor é a única força capaz de nos fazer passar da morte para a vida. Quando o amor se enfraquece ou morre em nós, tudo à nossa volta se enfraquece e morre. Se as nossas redes estão vazias não é porque não estamos fazendo bem o nosso trabalho, mas porque o fazemos sem amor, sem um amor verdadeiro por Jesus Cristo.

Uma vez que Pedro, com sinceridade, declara o seu amor por Jesus, Jesus lhe confia a tarefa: “Apascenta os meus cordeiros… Apascenta as minhas ovelhas” (cf. Jo 21,15-17). O amor não é apenas um sentimento, mas uma atitude que nasce de um sentimento. Quem ama, cuida. Somente quando amamos Jesus é que nos envolvemos no cuidado com as pessoas que Ele nos confia, assim como nos envolvemos no cuidado com a Sua Igreja.

Ao terminar seu diálogo com Pedro, e com cada um de nós, Jesus deixa claro que o amor por Ele implicará algum tipo de sofrimento para nós. Em nossa vida de discípulos, chegará o momento em que nos levarão para onde não queremos ir (cf. Jo 21,18). Por causa do nosso amor por Jesus Cristo e pelo Seu Evangelho, nós experimentaremos a morte, no sentido de sermos ignorados e desprezados, ou quem sabe até mortos pelo mundo. Mas isso servirá para glorificarmos a Deus. Independente do quê nos aguarda no caminho de discípulos, Jesus nos diz: “Siga-me” (cf. Jo 21,19). Seguir mesmo na nossa fraqueza, nos nossos tropeços, no nosso amor inconstante por Ele. Seguir também quando formos obrigados a fazer coisas que não gostaríamos, quando tivermos que sofrer por causa d’Ele.

 

Pe. Jair da Silva – Diocese de Bagé