Bispos › 23/06/2017

Semana do Migrante

Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo 

As migrações marcam a história da humanidade. As motivações dos migrantes para saírem de seus lugares de origem e procurarem outros lugares, inclusive países, são as mais diferentes. No cenário migratório, sem dúvida, o mais traumático é aquele dos refugiados, onde indivíduos ou comunidades inteiras precisam fugir apressadamente.

A comunidade, a política, a sociedade civil e a Igreja se encontram diante deste enorme desafio. A busca de respostas, muitas vezes urgentes, é diária. Além disso, somente ações isoladas não são suficientes desafiando a criação de ações coordenadas e eficazes.

Desde o início de seu pontificado, o papa Francisco tem demonstrado uma grande preocupação com os migrantes e refugiados. Foi muito marcante a visita, quase de surpresa, a Lampedusa. Constantemente fala deste tema e a sua mensagem anual por ocasião do “Dia Mundial do Migrante e do Refugiado” é sempre muito provocativa e sugestiva.

As atitudes e falas do papa Francisco têm desafiado muito a comunidade católica. Creio, também, que provoca todas as pessoas sensíveis à questão migratória e as autoridades políticas e econômicas. No seu jeito perspicaz e prático, o papa propôs como resposta ao cenário migratório a articulação em torno de quatro verbos: acolher, proteger, promover e integrar.

Acolher – Acolher é atender, receber, dar crédito, dar ouvidos, aceitar. É o contraponto da rejeição e da indiferença. Antes das estruturas de acomodação, vem a acolhida das pessoas. Talvez já tenhamos alguma experiência de sermos rejeitados ou nos sentirmos estranhos e sabemos o quanto isto dói.

Proteger – Trabalhadores migrantes, refugiados, requerentes de asilo e vítimas do tráfico humano são vulneráveis à exploração, ao abuso e à violência. Pelo fato de serem seres humanos, têm direitos inalienáveis. Devem ser promovidas as garantias das suas liberdades fundamentais e o respeito pela sua dignidade.

Promover – É preciso promover o desenvolvimento humano integral, onde as ações da justiça, da paz, da educação, do desenvolvimento econômico e da proteção são fundamentais. Ao falar da promoção, o papa Francisco chama atenção dos países de origem dos migrantes e refugiados. Lá é o primeiro lugar de promoção humana para que seja resguardado o direito “a não ter que migrar”: de encontrar na própria pátria as condições que lhes permitam uma existência digna.

Integrar – O encontro de pessoas de diferentes povos, culturas, línguas, religiões desafia a todos, migrantes e nativos. O processo de integração começa com o reconhecimento da riqueza cultural do outro. Ele tem algo para ensinar. Tem um outro ponto de vista sobre a vida e outras formas de responder aos problemas diários. Deste modo torna-se possível a unidade na diversidade étnica, cultural e religiosa. A não integração gera guetos e, como nos ensina a história, com o tempo degeneram em violência.

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