Bispos › 14/11/2017

Somos chamados a ser testemunhas ativas e comprometidas

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen

O 33º Domingo do Tempo Comum recorda a cada cristão a grave responsabilidade de ser, no tempo histórico em que vivemos, testemunha consciente, ativa e comprometida desse projeto de salvação que Deus Pai tem para os homens.

O Evangelho deste domingo (Mateus 25,14-30) apresenta-nos dois exemplos opostos de como esperar e preparar a última vinda de Jesus. Louva o discípulo que se empenha em fazer frutificar os bens que Deus lhe confia; e condena o discípulo que se instala no medo e na apatia e não põe a render os bens que Deus lhe entrega (dessa forma, ele desperdiça os dons de Deus e priva os irmãos, a Igreja e o mundo dos frutos a que têm direito).

Na segunda Leitura (1 Tessalonicenses 5,1-6), São Paulo deixa claro que o importante não é saber quando virá o Senhor pela segunda vez; mas é estar atento e vigilante, vivendo de acordo com os ensinamentos de Jesus, testemunhando os seus projetos, empenhando-se ativamente na construção do Reino.

A primeira Leitura (Provérbios 31,10-13.19-20.30-31) apresenta, na figura da mulher virtuosa, alguns dos valores que asseguram a felicidade, o êxito, a realização. O autor do texto, homem cheio de sabedoria, propõe, sobretudo os valores do trabalho, do compromisso, da generosidade, do «temor de Deus». Não são só valores da mulher virtuosa: são valores de que deve revestir-se o discípulo que quer viver na fidelidade aos projetos de Deus e corresponder à missão que Deus lhe confiou.

Vale a pena, neste domingo, refletir sobre a figura de São Paulo. São Paulo era homem de urgências apressadas e consciência aguda de uma missão a cumprir. Acreditava na teoria da «vida passageira e breve» onde o tempo era bem escasso e a vida era como energia não renovável em contraste com o muito por fazer, este, sim, inesgotável. Preguiça não era com ele; desperdiçar o tempo muito menos. Homem de grandes causas e grandes lutas colocava-se todo no que fazia. E tudo o que fazia, fazia-o por convicção. Tinha pressa antes que o Senhor chegasse, para no fim dos seus dias poder lhe dizer: “Combati o bom combate”, agora, Senhor, acolhe-me no teu Reino pelo qual gastei vida e talentos. Enervava-se com quem não trabalhava (Quem não quiser trabalhar que não coma). Hoje lemos o que escreveu aos Tessalonicenses: “Não durmamos como os outros” porque “não somos da noite”, mas do dia. Até que o Senhor venha pedir contas da vida e do que fizemos com ela. Responder à missão que Deus lhe confiou.

Assim, já próximos do final do ano, podemos olhar para o exemplo deste grande Apóstolo do Senhor e tomarmos consciência da necessidade de não perdermos tempo, em nossa vida.

Há muita gente irresponsável, em relação a isto. Não só que perde seu tempo, mas ainda pior, faz os outros perderem, gerando confusão, desentendimentos, preocupações e angústias.

Em relação a isto, ao sofrimento que se causa aos irmãos, por atitudes irresponsáveis, por palavras caluniosas, por prejuízos morais e sofrimentos humanos e espirituais, é preciso entender agora que o Senhor nos cobrará até o último centavo por perder o nosso tempo e fazer os outros perderem o seu. Deus nos deu o tempo da vida para fazer o bem, jamais para prejudicar a vida dos demais.

Aprendamos esta lição recebida hoje.

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