Bispos › 20/12/2017

Um presépio de Igreja samaritana

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

O Natal traga alegria para todos e proporcione a paz anunciada pelos anjos, em Belém. Recordamos, com especial carinho, inúmeros fatos relativos a esta data, no passar dos anos. Para os cristãos, o centro das celebrações natalinas é o mistério da encarnação: “O Verbo se fez carne e veio morar entre nós” (Jo 1, 14). Na pessoa de Jesus Cristo, Deus assumiu nossa condição humana; veio ser próximo de nós para que nós pudéssemos entrar em comunhão com Ele. A liturgia natalina fala em troca de dons entre o céu e a terra: Ele é o Emanuel = Deus conosco.

São Francisco de Assis, para tornar mais visível e sensível este mistério, criou o presépio (1223), em Greggio – Itália. Ainda hoje, nas igrejas, nas casas, nas praças e outros locais, nós cultivamos este rico simbolismo do Deus que se fez pequeno entre nós: “A Palavra eterna fez-Se pequena; tão pequena que cabe numa manjedoura. Fez-Se criança, para que a Palavra possa ser compreendida por nós… agora a Palavra tem um rosto, que por isso mesmo podemos ver: Jesus de Nazaré” (VD 12).

Já vimos muitos presépios e a criatividade os torna sempre novos e atrativos. Um deles impressionou-me de forma especial, pela sua originalidade e sentido: o presépio da estação ferroviária de Pádua, cidade de Santo Antônio, no Natal de 1980. O que representava este presépio? Em novembro do mesmo ano havia ocorrido um terremoto no sul da Itália, de proporções consideráveis. Campanhas de ajuda humanitária eram realizadas em todo país, tentando amenizar a dor e os prejuízos dos mais sofridos. O presépio da estação representava, em forma de tendas, as habitações provisórias dos mais atingidos pela catástrofe. Um trenzinho circulava lentamente através dos túneis e pelos vales das montanhas, com as casas destruídas, não deixando de passar pelas tendas da baixada e de parar na estação. Então vem o importante e o original: no meio das tendas encontrava-se uma, mais iluminada, e que pertencia a Maria, José e o Menino Jesus. Era o presépio em meio à realidade daquelas pessoas sofridas. O Emanuel tornava-se, de fato, Deus-com-eles; nesse presépio Jesus habitava no meio dos que foram atingidos pelo desastre, na realidade de sua vida; entre eles havia feito sua tenda, assim como na gruta de Belém, quando não havia lugar para eles nas casas. Bem escreveu São Francisco de Assis: “Um Menino santíssimo e dileto nos foi dado e nasceu por nós (cf. Is 9, 6) no caminho e foi colocado no presépio (cf. Lc 2, 7) porque ele não tinha um lugar na hospedaria (cf. Lc 2, 7)” (Ofício da Paixão do Senhor). Sim, Jesus nascera no caminho, na situação concreta da vida daquelas pessoas, encarnando-se no seu meio para ser luz, esperança e salvação, alívio em sua dor. A estação de trem chamava-se: Solidarietà (Solidariedade). E isso diz tudo para nós!

No Natal de 2017 o Senhor quer fazer sua tenda em nossa vida, em nossos “terremotos”, em nossa realidade concreta: vida pessoal, família, comunidade, vocação, trabalho, convivência social, etc.. Ele quer estar junto a nós e ensinar-nos o que é ser “Igreja samaritana”, em nosso tempo. Há lugar para Ele na Belém de nossa vida? Caso tivermos, convidemo-lo e Ele entrará! Feliz Natal, com sua presença divina em todo ano novo!

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

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