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“Uma multidão que ninguém podia contar…”

Na 1a Leitura da Solenidade de Todos os Santos, que hoje comemoramos, (Apocalipse 7,2-4.9-14), o Apóstolo São João, nos apresenta a visão inspiradora de uma multidão incontável que triunfou e que está ao lado de Cristo, no céu. Não se trata apenas de cento e quarenta e quatro mil indivíduos, como alguns podem interpretar erroneamente. Este número é simbólico: representa a infinidade e a plenitude (12 vezes 12.000). Hoje, somos convidados a voltarmos nossos olhares para esses irmãos que já alcançaram a vitória final, e constituem, no céu, a Igreja Triunfante.

A jornada para a santidade dura a vida inteira, requer trabalho árduo e sofrimento, exige que atravessemos tribulações e permaneçamos fiéis, apesar das forças demoníacas que tentam nos desviar do caminho.

A todos é dada a oportunidade de acolher a Graça salvadora que o Senhor nos oferece. Com a Graça de Deus, podemos conquistar a vitória, desde que sejamos humildes e façamos uso dos meios que Ele disponibiliza. Somos purificados repetidamente em seu divino Sangue, através do Sacramento do Perdão, e alimentados com o Pão da Vida eterna, que é a Eucaristia.

Os santos são nossos irmãos e fonte de inspiração, aqueles que, por meio de seus exemplos e intercessão, nos impulsionam a perseguir a mesma meta. Muitos deles, não são conhecidos: são familiares e amigos que compartilharam a jornada terrena conosco e corresponderam com fidelidade ao chamado de Deus.

Os santos do Céu são nossa família espiritual, unida pelo Batismo, que efetua conexão mais profunda e real do que os laços de sangue. Eles se tornam modelos para imitar, pois copiaram a vida de Jesus, o Primogênito entre muitos irmãos, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, o modelo da nova Humanidade. Por meio de Cristo, eles alcançaram a vitória, lavando suas túnicas no sangue do Cordeiro.

Hoje, os santos do Céu nos lembram que vale a pena amar, sofrer por Cristo e trabalhar para que todos o conheçam e o amem. Somos convidados a ansiar pelo Céu, em busca da felicidade suprema.

No entanto, muitas pessoas não conseguem encontrar o caminho da santidade devido à ignorância ou à recusa em seguir as orientações de Jesus. Alguns já desistiram. Vale a pena meditar sobre o Céu, assim como os atletas sonham com a linha de chegada e o prêmio que os aguarda, embora isso seja insignificante em comparação com o que nos espera um dia. Como São Paulo nos lembra: “Nem os olhos viram, nem os ouvidos ouviram, nem pela imaginação do homem passou o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1º Coríntios 2,9).

E o que é o Céu, afinal? Como podemos imaginá-lo? É a visão amorosa de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, como mencionado na 2a Leitura (1ª João 3,1-3): “Veremos a Deus tal como Ele é“.

E como chegar ao céu? Qual o caminho que nos levará até lá?

Nosso Senhor, no Evangelho das Bem-aventuranças (Mateus 5,1-12) nos ensina o caminho:

Ter pobreza de espírito (simplicidade de coração), afligir-se por si, pelos próprios defeitos e pecados e pelo sofrimento dos demais, ser manso de coração e de atitudes, tratar os demais sempre com misericórdia, ter um coração puro, sem maldades interiores e exteriores, num mundo profundamente erotizado, viver em paz com todos e promover ao redor de si a paz, levar tão a sério a Jesus e a seu Evangelho, mesmo que esta coerência nos traga injúrias, perseguições, sofrimentos, calúnias e incompreensões.

Este é o caminho para o céu, aqui nesta terra. É o caminho que Jesus trilhou e que tantos irmãos nossos trilharam decididamente, e por isso, hoje vivem eternamente a felicidade eterna do céu.

Permaneçamos firmes neste caminho. E peçamos a intercessão de nossos irmãos que já estão no céu.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen