Artigos › 17/05/2018

Unidos a Cristo, como ramos à videira

A vida cristã, essencialmente, é vida de comunhão em Cristo e com Cristo, na comunidade cristã. E foi pelo Batismo, que o ano vocacional nos convida a aprofundar e a retomar, que nós fomos, como diz São Paulo, enxertados em Cristo e integrados na comunidade dos seus discípulos, dos seus seguidores.

Para facilitar nosso entendimento do que significa ser seu seguidor, Cristo usa imagens, figuras que expressam unidade de vida com Ele. No domingo passado, o evangelho nos apresentou a figura do Bom Pastor. Neste domingo, a figura da árvore, mais especificamente, da videira, da parreira, do pé de uva. Ele diz: eu sou a videira, vós sois os ramos e meu Pai é o agricultor.

– O Antigo Testamento fala muito da vinha, da roça de Deus… Mas a vinha lhe deu uvas amargas…

O que Cristo quer nos dizer com esta imagem?

Ele insiste em duas recomendações: permanecer nele e dar frutos. Os ramos que produzem frutos precisam ser purificados de pragas e parasitas, de coisas que tiram a força necessária para produzir frutos bons. A parreira, mais do que outras árvores frutíferas, na primavera, larga muitos brotos e seus ramos crescem muito. Sem a poda, ela enfraquece e não dá muita uva ou dá uva sem a graduação necessária para um bom vinho. De que é que precisamos ser podados para dar mais e melhores frutos? Da acomodação para rezar mais, ler a bíblia, ir à missa, para assumir algum serviço comunitário…? Da crista do orgulho, da maledicência da língua…?

– As provações também são momentos de poda…

– Galho que o vento quebra ou é quebrado por alguém ao colher seus frutos seca e não produz mais nada. O galho seca porque não circula mais nele a seiva que as raízes buscam na terra. Quais cristãos são como o galho seco? Os desligados… estão ainda registrados nos livros da Igreja, mas… Alguns até já deixaram por completo a Igreja e passaram para outras confissões… Se não alimentarmos nossa comunhão com Cristo pela oração, pela participação nos sacramentos, pela meditação e prática de sua Palavra, também secaremos e não daremos mais fruto.

– Cristo insiste que devemos permanecer nele para dar muitos frutos e frutos agradáveis a Deus. Podemos ser cristãos como galhos cheios de folhas mas sem nenhum fruto. Há cristãos de muita promessa, muita palavra e pouca ação… Há comunidades de muita louvação e pouca transformação… São João: não amemos só com palavras e de boca, mas com ações e de verdade!

– A imagem dos ramos unidos ao tronco fala também da vida em comunidade. Ninguém é ramo isolado de Cristo. Ninguém é cristão avulso. Todos os batizados vivem em Cristo, mas devem também viver em comunhão fraterna com os demais. A primeira leitura apresentou o exemplo de integração da primeira comunidade, a de Jerusalém. Pelo aval que Barnabé dá a Paulo, este é aceito…., Diante da perseguição a Paulo, os membros da comunidade o levaram para outras cidades…

Lembrando o ensinamento de São João na segunda leitura de hoje, que devemos viver o mandamento de Deus que é crermos no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, renovemos nossa fé.

Pe. Antonio Valentini Neto