Bispos › 23/02/2017

Valiosos sob o olhar de Deus

Dom Remídio José Bohn – Bispo Diocese de Cachoeira do Sul

A liturgia deste domingo tem a missão de alertar nosso sentimento de que Deus nos ama mais que qualquer mãe. Isaías usa o exemplo do carinho de uma mãe para recordar que ela jamais se esquece de amamentar o filho, de lhe dar atenção quando chora, e mesmo que isso pudesse acontecer, Deus jamais esqueceria um de nós (Is 49,15). Com isso vemos que para Deus valemos muito. Deus nos ama mais que uma mãe ama seu filho.

Neste contexto, o Evangelho nos ajuda a rever o relacionamento com os bens materiais e trata de dois assuntos de tamanho desigual, ou seja, nosso relacionamento com o dinheiro (Mt 6,24) e nosso relacionamento com a Providência Divina (Mt 6,25-34).

Jesus exalta a gratuidade do amor do Pai. Amor que cuida até das menores criaturas, como os lírios do campo, cuja existência se apresenta tão ínfima: “que de manhã nascem e à tarde secam”; amor providente: “que não deixa nenhum passarinho morrer de fome”. Desse modo é que Jesus Cristo sente e vê o Pai e nos convida a permitir que ele cuide de nós.

“A vida não é mais que o alimento, e o corpo, mais que a roupa?” (v. 25). Ocupamo-nos com tantas coisas no nosso dia a dia que acabamos invertendo o real valor das coisas. A demasiada preocupação com os alimentos nos desvia de nos atermos ao verdadeiro valor da vida; a preocupação com a roupa faz com que esqueçamos a importância do corpo: ocupamo-nos previamente com algumas coisas e negligenciamos o essencial.

Evidentemente, Jesus não está dizendo que não devemos nos preocupar com alimento e vestuário. Devemos nos ocupar também dessas coisas, mas sem jamais ater toda a nossa vida a elas. Pois se assim fizermos, vamos nos asfixiar no mundo da necessidade (das preocupações cotidianas) e não o transcenderemos para abraçar o Reino destinado aos filhos e filhas de Deus.

Buscar em primeiro lugar o Reino e a sua justiça significa buscar realizar a vontade de Deus e permitir que Deus possa reinar em nossas vidas. A busca de Deus se traduz concretamente na busca de uma convivência fraterna e justa. Onde houver esta preocupação pelo Reino, nascerá uma vida comunitária em que todos viverão como irmãos e irmãs e ninguém mais passará necessidade. Aí não haverá mais preocupação com o dia de amanhã, isto é, não haverá mais preocupação em acumular.

Cabe, pois, a questão: Quem eu coloco em primeiro lugar na minha vida: Deus ou o dinheiro? Desta escolha dependerá a compreensão destes conselhos sobre a Providência Divina (Mt 6,25-34). Não se trata de uma escolha feita só com a cabeça, mas de uma escolha bem concreta de vida que envolve as atitudes.

 

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