Visão do Magistério da Igreja e os Biomas

O desafio da convivência com os biomas não são tratados diretamente no Magistério, mas são iluminados por uma reflexão a respeito da interligação da obra da criação pela consciência ecológica.

O Beato Paulo VI deu iniciou a reflexão sobre ecologia na carta apostólica Octogesima Adveniens, em comemoração dos 80 anos da encíclica Rerum Novarum do papa João XXIII, ao escrever: “Não só já o ambiente material se torna uma ameaça permanente, poluições e lixo, novas doenças, poder destruidor absoluto; é mesmo o quadro humano que o homem não consegue dominar, criando assim, para o dia de amanhã, um ambiente global, que poderá tornar-se para a humanidade insuportável” (AO n. 21).

A mensagem de São João Paulo II para o vigésimo terceiro Dia Mundial da Paz foi centrada no tema “Paz com Deus criador, paz com toda a Criação”, proferida no dia 01 de janeiro de 1990, afirma: “O gradual esgotamento da camada do ozônio e o consequente efeito estufa que ele provoca já atingiram dimensões críticas, por causa da crescente difusão das indústrias, das grandes concentrações urbanas e do consumo de energia. Lixo industrial, gases produzidos pelo uso de combustíveis fósseis, desflorestamento imoderado” (…) “tudo isto, como se sabe é nocivo para a atmosfera e para o ambiente”.

Em sua encíclica Centesimus Annus, de 01 de maio de 1991, ele considera que o homem, tomado mais pelo desejo do ter e do prazer, do que pelo ser e crescer consome de maneira desordenada os recursos da terra e da sua própria vida. A atenção à preservação dos habitat naturais das diversas espécies animais ameaçadas de extinção deve ir de mãos dadas com o respeito pela estrutura natural e moral, da qual o homem foi dotado. Para ele, a crise ambiental não é só científica e tecnológica, mas fundamentalmente moral.

Já o Papa emérito Bento XVI, conhecido por “o primeiro papa verde”, na sua mensagem para o sexagésimo Dia Mundial da Paz, de 01 janeiro de 2007, retomou e consolidou a relação inseparável que existe entre ecologia da natureza, ecologia humana e ecologia social.

E na encíclica Caritas in Veritate, de 29 junho de 2009, recordou a urgência de uma solidariedade que leve a uma redistribuição mundial dos recursos energéticos, de modo que os próprios países desprovidos possam ter acesso a eles. Na audiência Geral de 26 de agosto de 2009 afirmou: “é indispensável converter o atual modelo de desenvolvimento global para uma maior e compartilhada assunção de responsabilidade em relação à criação: isso é exigido não só pelas emergências ambientais, mas também pelo escândalo da fome e da miséria”.

O Papa Francisco deu continuidade com seus antecessores ao apresentar uma visão global, uma ecologia integral. Em sua exortação apostólica Evangelii Gaudium, de 24 de novembro de 2013, afirmou: “Nós, os seres humanos, não somos meramente beneficiários, mas guardiões das outras criaturas. Pela nossa realidade corpórea, Deus uniu-nos tão estreitamente ao mundo que nos rodeia que a desertificação do solo é como uma doença para cada um, e podemos lamentar a extinção de uma espécie como se fosse uma mutilação” (EG n. 215).

O Papa Francisco chama a atenção que o tempo para encontrar soluções globais está acabando. Por isso produziu um documento oficial sobre a ecologia. A Laudato SI, promulgada em 24 de maio de 2015. É a primeira encíclica ecológica e indica como um dos eixos fundamentais da reflexão ecológica a relação íntima entre os pobres e a fragilidade do planeta. Tanto a natureza como os pobres são usados como formas para o lucro fácil: exploração da mão de obra barata e extração desenfreada dos recursos naturais, tudo em nome do lucro fácil disfarçado de progresso humano.

Por fim, a reflexão sobre os biomas e os povos originários recebe uma rica iluminação da Palavra de Deus e do Magistério da Igreja. Agora é preciso perceber a riqueza do tema e dos desafios ligados levantados pela CF e partir para a ação concreta. Como afirma o Papa Francisco: “as convicções da fé oferecem aos cristãos – e, em parte, também a outros crentes – motivações importantes para cuidar da natureza e dos irmãos e irmãs mais frágeis” (Laudato Si n.64).

Por Judinei Vanzeto, jornalista

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