Bispos › 23/03/2017

Viver na Luz

Dom Remídio José Bohn – Bispo da Diocese de Cachoeira do Sul

A Quaresma, além de ser um tempo de penitência e de conversão, era o tempo de preparação para os batizados. Assim, os textos litúrgicos dos três domingos, que antecedem a semana santa, desenvolvem uma catequese batismal, com os símbolos da água, da luz e da vida.

Neste domingo elas nos lembram a Luz da fé recebida no Batismo e nos exortam a viver na Luz.

O Evangelho apresenta a cura do cego de nascença (Jo 9,1-41). A cegueira era considerada um castigo divino, seja pelos pecados da pessoa, seja pelos de seus antepassados. Um dos agravantes muito sérios para o cego era o seu impedimento de ler a Sagrada Escritura e estudar a Lei, sendo, por isso, considerado um ignorante da vontade de Deus.

Jesus unge os olhos do cego de nascença com lama feita a partir da saliva e os toca, concedendo-lhe a visão. Junto com a recuperação da vista, recebe de Jesus o dom da fé e torna-se seu discípulo.  A tradição cristã vai interpretar o ato de lavar-se na piscina de Siloé como o símbolo da regeneração cristã pelo batismo.

Há nessa leitura do Evangelho dois elementos significativos da cerimônia batismal: a profissão de fé, que devemos renovar nesse tempo, como o cego de nascença curado: “Creio, Senhor! ( V. 38); e a luz de Cristo que ilumina a vida deste homem a partir da cura da cegueira. O Papa Bento XVI afirmava: “No Batismo somos libertados das trevas do mal e recebemos a luz de Cristo para viver como filhos da luz… O milagre da cura é o sinal que Cristo, juntamente com a vista, quer abrir o nosso olhar interior, para que a nossa fé se torne cada vez mais profunda e possamos reconhecer n’Ele o nosso único Salvador. Ele ilumina todas as obscuridades da vida e leva o homem a viver como filho da luz”.

O texto da carta aos Efésios (Ef 5,8-14) incentiva a comunidade cristã a viver como filhos da luz, renunciando às obras próprias das trevas: corrupção, mentira, violência, hedonismo e tudo o que prejudica o ser humano e a natureza, e praticando cotidianamente a bondade, a justiça e a verdade. Deus é luz. Portanto, quem vive em Deus se torna uma pessoa iluminada: é autêntica e livre, pois nada tem a esconder ou do que se envergonhar.

O nosso comportamento de cristão deve ser testemunho do Batismo recebido. Agora é tempo de revisão de vida e de conversão: Deus nos oferece a oportunidade de sair das trevas para a luz. O discípulo missionário de Jesus escolhe o caminho da verdade, da justiça e da bondade; assume o risco de ser autêntico e se empenha na construção de outro mundo possível.

 

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