Bispos › 21/11/2017

Vocações presbiteral – 03

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul

A diocese de Santa Cruz do Sul destacou-se, em sua história de quase seis décadas, como uma Igreja particular de numerosas vocações presbiterais e religiosas. No despertar vocacional dos jovens para os diversos estados de vida nas famílias cristãs, com naturalidade, surgiam também candidatos e candidatas para a vida sacerdotal e religiosa. Os tempos não são mais os mesmos, pois vivemos uma mudança de época e inúmeros fatores influenciam para que se viva uma crise vocacional. Além do secularismo, que atingiu a vida cristã em sentido amplo e também afetou diretamente as vocações presbiterais e religiosas, podemos elencar outros motivos: a significativa redução de filhos e as novas constituições familiares; a crise da pertença e participação em instituições tradicionais; a dificuldade de assumir compromissos que exigem fidelidade até o fim da vida; testemunhos questionáveis do clero e da vida consagrada; a dificuldade de acompanhamento formativo adequado aos candidatos; a deficiente formação cristã na família e comunidade, etc..

Portanto, há inúmeras situações que não favorecem o seguimento de vocações para a vida presbiteral e religiosa. Isso não significa que Deus deixou de chamar para estes estados de vida na Igreja. Nós é que devemos encontrar as formas adequadas para responder ao chamado divino, dentro dos novos tempos. Ele é fiel e continua a conceder o dom da vocação. Qual é a nossa parte? O Documento de Aparecida, quando aborda este tema vocacional, coloca os diversos degraus desta resposta: oração pelas vocações nas famílias e nas comunidades; os chamados/as sejam generosos para responder positivamente; a família alegre-se e estimule os vocacionados/as ao perceberem a bênção do chamado em seu lar; a comunidade apoie os convidados/as; os que já vivem esta vocação deem testemunho de vida feliz; os vocacionados/as recebam boa acolhida e adequada formação nas casas instituídas para acompanhar o processo vocacional (DAp 314-316). Eis a nossa parte, como diocesanos, que tanto sentimos a falta de sacerdotes, de religiosos/as e, igualmente, de lideranças leigas comprometidas em nossas Comunidades.

Há nova expectativa vocacional em relação ao processo de Iniciação à Vida Cristã, caminho definido para os próximos anos e que, certamente, despertará novas vocações para os diversos estados de vida na Igreja. Outra boa notícia é a criação do novo Propedêutico interdiocesano, projetado para 2018, em nosso Seminário São João Batista. Junto com a campanha de oração nas famílias e comunidades, deixando claro que a vocação nasce no clima orante ao Senhor da messe, estamos tentando fazer nossa parte, com iniciativas concretas para viabilizar o caminho dos vocacionados.

Externamos também nossa alegria ao perceber que os seminaristas do Seminário Maior de Viamão prosseguem animados, e que há perspectivas para duas ordenações: o Diácono Maurizan do Nascimento, com ordenação presbiteral para dia 26 de novembro, em Candelária/RS; e Rodrigo Eduardo Hillesheim, com ordenação diaconal, dia 08 de dezembro, em Venâncio Aires/RS. É sem dúvida um sinal que Deus está ouvindo nosso insistente clamor vocacional; e há jovens convidados que são generosos na sua resposta, junto com o apoio das famílias e comunidades, das casas de formação e de estudos, enfim, de todos os diocesanos. Deus seja louvado pelos seus dons vocacionais.

 

 

 

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