WEBMAIL

Voltar a Belém!

Com o Natal num ano marcado pela insegurança, o medo, a dor e a dificuldade econômica, somos especialmente convidados a refletir sobre a origem pobre de Jesus e a realidade do primeiro Natal.

Segundo os relatos bíblicos, Maria e José viviam em Nazaré, mas foram a Belém, terra da família de José, descendente de David, a fim de registar-se no recenseamento ordenado pelo imperador Augusto. Enquanto estavam em Belém, Maria deu à luz o seu Filho, colocando-o numa manjedoura, pois não havia lugar para eles na hospedaria (cf. Lc 2,1-7). Os primeiros a visitarem o Menino não foram os nobres ou ricos, mas sim os pastores da região, povo simples e trabalhador, os últimos naquela sociedade. A apresentação no templo, agora em Jerusalém, dá mais alguns indícios da origem humilde de Jesus. O livro do Levítico diz que: “Se a pessoa não tiver recursos para oferecer um animal pequeno, levará para o Senhor dois pombinhos” (Lv 5,7). José e Maria não oferecem um cordeiro, como era exigido, mas sim dois pombos (cf. Lc 2,24).

Se Jesus nasceu pobre, entre os pobres e toda a sua pregação privilegiou os pobres e excluídos, como então o Natal se tornou uma tradição cheia de gastos, com muita decoração, banquetes, presentes e tudo mais? Certamente Jesus merece tudo o que há de melhor, como vemos expresso simbolicamente nos presentes dos reis magos. Mas a verdadeira intenção deste relato dos nobres vindos do Oriente é que toda a humanidade reconheça e siga Jesus como verdadeiro sacerdote (incenso, símbolo da espiritualidade), rei (ouro, símbolo da nobreza) e profeta-pastor (mirra, símbolo do sofrimento e da imortalidade).

O bem-aventurado Tiago Alberione, fundador da Família Paulina, ao enviar os seus religiosos para darem início a novas comunidades, costumava dizer: “comecem tudo a partir de Belém”. Era uma orientação muito simples, mas compreendida por todos na profundidade do seu significado. Começar uma nova missão ou nova obra de evangelização a partir de Belém não significava apenas que Jesus deveria ser o centro e a luz que orientaria tal iniciativa, mas também que deveria começar pobre, simples, humilde. Deveria começar com aquilo que estava à disposição (mesmo que fosse uma simples manjedoura num estábulo), mas com a alegria e a exaltação que marcaram o nascimento do menino Jesus.

O tempo de dificuldade, como o contexto de pandemia em que vivemos, pode ser excelente oportunidade para redescobrirmos o verdadeiro espírito do Natal, que é simplesmente acolher o menino Jesus, o Filho de Deus, de coração aberto, sem luxo, sem grandes banquetes, sem presentes caros. O centro do Natal é Jesus e o Seu ensinamento que privilegia o encontro, a partilha, a alegria, a fé, a esperança, o amor. Se neste Natal distribuirmos tais presentes, conseguiremos voltar a Belém e oferecer algo muito valioso. E o melhor é que estes presentes são gratuitos e estão ao alcance de todos.

Tenha um feliz e abençoado Natal!

Fr. Darlei Zanon, religioso paulino