Artigos, Bispos › 30/01/2020

A Apresentação do Senhor

Hoje celebramos a Festa da Apresentação de Jesus no templo. Maria e José levaram Jesus a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor, como está escrito na Lei do Senhor: “Todo o filho primogénito varão será consagrado ao Senhor” e também para que a Sua Mãe receba a purificação legal.

A Lei de Moisés era cheia de profunda humanidade. Não obrigava os pais a levar as crianças ao templo porque, em muitos casos, seria difícil. Como José e Maria ainda moravam em Belém, a cinco quilómetros de distância, levaram-no nos braços.

A purificação da mulher, depois do parto, era uma cerimônia pela qual era abençoada pelo dom da maternidade e se reconhecia oficialmente que estava restabelecida dos trabalhos do parto e podia regressar à vida normal.

O evento é descrito no Evangelho da Missa de hoje (Lucas 2:22-40). Segundo esta narração, Maria e José levaram o Menino Jesus ao Templo em Jerusalém quarenta dias após seu nascimento em consonância com a lei judaica da época. Após trazer Jesus ao templo, a família encontrou Simeão; o Evangelho registou as palavras de Simeão que disse que lhe tinha sido prometido que veria o Menino antes de morrer. Simeão rezou a oração que se tornaria conhecido como o Nunc Dimittis, ou Cântico de Simeão, e profetizou quanto a Jesus e que uma espada trespassaria o Coração de Maria. A profetisa Ana, foi também ao templo, e ofereceu orações e louvores a Deus por Jesus.

Maria não precisava de se purificar, porque, com o parto virginal, não alterara em nada as suas forças. Quis, porém, ser a primeira a dar o exemplo de obediência às leis do Povo de Deus e fez isso com alegre generosidade.

Maria leva nos braços o Redentor do mundo na figura de uma criança com pouco mais de um mês de idade. É o Senhor do universo que quer precisar de todas as ajudas e cuidados, que vem anunciar o Evangelho do Amor, mas que ainda não fala. São José, alegre e discreto, leva consigo as aves que deveria oferecer no Templo de Jerusalém, em resgate do Menino.

Com esta atitude, Maria e José nos dão exemplo de várias virtudes:

Em primeiro lugar, a da naturalidade. Maria, José e o Menino apresentam-se como pessoas vulgares, sem qualquer sinal externo que as distinga dos outros. Não há qualquer sinal para avisar os presentes que está ali Deus, o Salvador do mundo; nem Maria, a Mãe de Deus; nem José, o mais santo de quantos homens passaram pela terra. Este quadro é uma boa ajuda para todos nós que tantas vezes nos preocupamos mais com o parecer do que com o ser.

Também, a virtude da humildade e simplicidade. Maria e José ficam admirados com o que dizem acerca do Menino. É próprio das pessoas humildes e simples esta capacidade de se admirar.

E finalmente, a da alegria. A Mãe de Jesus leva consigo a alegria: de Simeão, que nada mais deseja, depois de ter nos seus braços cansados o Salvador do mundo; de Ana, feliz por partir para a eternidade com a Consolação de que o Redentor do mundo já está entre os homens. Maria leva consigo a verdadeira alegria porque tem Jesus nos braços.

Nós, que em cada Missa acolhemos Jesus na Palavra e na sagrada Eucaristia, aprendamos a viver estas e outras virtudes.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen