Artigos, Bispos › 16/07/2020

A boa semente e o joio, as duas correntes

Desde longínquos tempos, a história da humanidade está sendo conduzida sempre por duas grandes energias, a força do bem e do mal. Enquanto uma força nos impele a construir a outra está aí para nos levar a destruir.

É um pouco nesta direção que Jesus nos orienta neste domingo, ao contar a parábola do semeador que lança em seu campo a boa semente, mas quando vai para casa e dorme, o inimigo vai lá e semeia o joio em todo aquele campo. É altamente lamentável.

Passado um tempo, vê-se claramente que nasce e já cresce o trigo, mas cresce também o joio, que parece ser um inço danado. A primeira reação de nossa parte seria entrar na lavoura e arrancar todo aquele inço. Mas, o patrão ordena: “Não! Pode acontecer que, arrancando o joio, arranqueis também o trigo. Deixai crescer um e outro até a colheita! E, no tempo da colheita, direi aos que cortam o trigo: – arrancai primeiro o joio e amarrai-o em feixes para ser queimado! Depois, recolhei o trigo no meu celeiro” (Mt 13,20).

Nesta recente pandemia e nesta forçada quarentena que passou de cem dias, nós todos verificamos quanta coisa passa diariamente em nossas programações televisivas. Se é verdade que muitas boas sementes são semeadas, nas inúmeras programações religiosas e diretamente católicas, é preciso afirmar que é impressionante o que se semeia de joios. São joios de todos os tipos e matizes.

E aquilo que nós sempre tínhamos como ideal, um jornalismo sem tendência, isento de juízo e sem assumir posição ou partido, há muito deixou de existir. Hoje todos os telejornais se arrogam o direito de fazer jornalismo investigativo, que vai atrás da notícia que lhe interessa e que vem comprovar o que pensa.

Nosso mundo é assim: joio e trigo são semeados na mesma lavoura. Não adianta querermos arrancar o joio, pois estamos sujeitos a estragar tudo e fazer a coisa que eles estão fazendo. É preciso deixar crescer junto e, na hora da colheita, separar o trigo no celeiro e amontoar o joio para que seja queimado. Enquanto isso, cada um de nós é responsável por aquilo que semeia e pelo que faz para construir um mundo melhor.

Dom Zeno Hastenteufel – Bispo Diocesano de Novo Hamburgo