Artigos, Bispos › 24/06/2019

A centralidade de Cristo em São Pedro e em São Paulo

Celebramos hoje a Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo. Na vida de Pedro e na vida de Paulo descobrimos que o centro é Jesus Cristo, filho de Deus Vivo. Na centralidade de Cristo eles interpretaram as suas vidas, com fragilidades e grandezas, com a graça e com o esforço humano, com os silêncios e com os ruídos, com horas de serenidade e horas de forte tempestade.

Souberam escutar, souberam responder. Deram a vida numa oblação de amor e de entrega. Assinalaram com marcas de sangue o seu amor incondicional a Jesus Cristo e à sua Igreja. Fizeram um caminho de conhecimento e crescimento, até que o amor de Deus lhes fizesse surgir a fé mais esplêndida e operativa, em que viver ou morrer é Cristo. Saborearam por entre lágrimas de amor perfeito a torrente do amor de Cristo e deixaram-se lavar pelo seu amor de serviço e pelo seu sangue de misericórdia e graça.

Exprimiram a sua vitalidade genuína de discípulos em um compromisso que abraçou o mundo inteiro, em uma fidelidade e entrega que ainda hoje fundamenta a beleza da Igreja e o seu dinamismo. São para nós irmãos que amamos e que permitiram que também nós saboreássemos a mesma torrente de vida e de graça. O seu compromisso com Cristo fez deles intrépidos anunciadores da palavra, pilares robustos da paciência e da misericórdia, sábios mestres da doutrina da vida, heróis desafiadores de perigos e de mortes, profetas audazes, mártires perfeitos do Cordeiro Pascal. Deram testemunho de fortaleza e paciência nas tribulações, de alegria na esperança e perseverança na oração. Souberam dizer sempre a verdade, importando mais servir a Deus que aos homens. Foram testemunho convicto, convincente e sem respeitos humanos.

Foram testemunho de incessante anúncio da palavra, da evangelização. Foram construtores permanentes, com novas pedras e todas as pedras possíveis, do Novo Templo de Deus. Foram testemunho corajoso e heroico, diante de vexames, difamações, críticas, fome, cadeias, perseguições. Foram testemunho de doação das suas vidas. Foram testemunho de inquebrantável fidelidade também aos seus irmãos, que não quiseram defraudar.

Em Pedro e Paulo vemos um profundo amor à Igreja de Cristo. Para Eles a Igreja, naqueles tempos sem grandes meios, eram rostos de irmãos, pessoas concretas a quem Deus se dirige, trata e ama. Cuidaram da Igreja com ternura e doação esmerada. Cuidaram da Igreja não como donos e senhores, mas como servos e irmãos, tendo sempre o Espírito Santo como conselheiro. Na verdade nada faziam sem a presença do Espírito Santo e dos irmãos, por quem, muitas vezes, o mesmo Espírito se exprime. E as chaves que usaram foram dadas como expressão de profunda confiança para abrir e deixar entrar, e para segurar e guardar, a preciosidade que é a vida de cada pessoa humana. Cuidaram da Igreja com diálogo e caridade diante das dificuldades, problemas e questões novas. Eles procuraram fazer da Igreja uma verdadeira família onde cada um se preocupa com o seu irmão, não só na dimensão espiritual, mas também na dimensão humana. Uma Igreja que unisse o céu e a terra e que o perdão conquistasse novos espaços. Fizeram da Igreja um espaço de misericórdia e de amor que atraia a muitos. Fizeram da Igreja uma autentica família, um espaço de verdadeira partilha fraterna e milagre permanente da certeza: “Eu estou sempre convosco até ao fim dos tempos”.

Hoje, as coletas das Celebrações Litúrgicas serão encaminhadas para o Papa Francisco, para que ele as utilize em ações de caridade.

Dom Antonio Rossi Keller