Artigos, Bispos › 18/02/2022

A esperança nos faz olhar o futuro!

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A vida de cada cristão deve ser profundamente marcada pela fé, pelo amor, pela esperança e a caridade; lembrando que no centro de toda a nossa vida está o amor que Deus derramou em nossos corações. Foi pelo perdão, na morte do seu Filho Jesus na cruz, que Deus nosso Pai, reconciliou a humanidade ferida pela dor do pecado que fere a vida, dom maior de Deus. E é dessa graça que vivemos, com uma esperança inabalável, até nas tribulações, porque muitas vezes é nas tribulações que mais sentimos o poder da sua graça tocar o nosso coração, nos passos da vida.

No dia do juízo final, o que marcará o nosso encontro com o Pai é o amor. Não um amor vivido de forma egoísta ou no vazio existencial, mas um amor que dá sentido à nossa passagem por este mundo e nos ajuda a revelar a ternura e a compaixão de Deus no nosso agir. O amor tem a capacidade de tornar eterno e divino o nosso agir neste mundo. E para viver o amor não é necessário realizar tarefas extraordinárias, nem ser um herói. É suficiente dar de comer a quem tem fome, de beber a quem tem sede, acolher o estrangeiro, vestir quem está nu, visitar os enfermos e os encarcerados. Às vezes, somos tentados a fazer coisas extraordinárias, mas Jesus nos diz que para merecer a vida eterna basta fazer as ordinárias, que estão ao nosso alcance e revelam amor e compaixão pela vida do nosso irmão e da nossa irmã.

Todos nós podemos ter grandes ideais no coração e nos projetos de vida em relação ao futuro, e é bom que os tenhamos, para podermos ser protagonistas de um novo tempo. Mas o tempo e as provações que vamos encontrando ao longo do caminho podem esfriar a paixão e a dedicação pela busca dos ideais que cultivamos, quem sabe por longos anos. Quando deixamos de lado os nossos ideais, passamos a ser dominados pela apatia, perdemos a esperança de que vale a pena continuar a sonhar e a acreditar no trabalho, na persistência, nas inovações, para superar as dificuldades do momento e poder realizar aquilo que nos motivou a iniciar um caminho.

Por isso, é preciso “um caminho cotidiano de reapropriação dos nossos projetos e dos nossos ideais”. Esta motivação, “reapropriação”, precisa ser cultivada também na vida de fé, para manter vivo o sentido de pertença a uma comunidade e comunhão com o Senhor Jesus. Quando a nossa vida de fé começa a esfriar, é sinal de que precisamos fazer memória histórica, no nosso coração, do testemunho de fé dos nossos antepassados, como fizeram os profetas das Sagradas Escrituras com o povo de Deus. Tendo presente que a fé do nosso povo é marcada por gestos grandiosos, de corações simples que temem a Deus, e carregam no coração uma esperança inabalável no amor e na misericórdia do Pai, que vela por seus filhos e filhas que peregrinam neste mundo.

+ Dom José Gislon, OFMCap – Bispo Diocesano de Caxias do Sul