Artigos, Bispos › 04/09/2021

A experiência que transforma

Saudamos todos os irmãos e irmãs ouvintes da Voz da Diocese recordando que estamos na primeira semana de setembro e como caminhada litúrgica, este é chamado o mês da Bíblia que neste ano ao viver o 50º Mês da Bíblia, traz a reflexão da Carta aos Gálatas: “pois todos vós sois um só, em Cristo Jesus” (Gl 3,28d).

Caros irmãos e irmãs. Também estamos celebrando o 23º Domingo do Tempo Comum onde a liturgia nos convida a abrirmos nossos ouvidos para que, na escuta da Palavra de Deus, encontremos o sentido de nossa vida diante de um Deus que quer a felicidade e a vida plena para todos os seus filhos e filhas.

O profeta Isaías, na primeira leitura, apresenta ao povo de Israel, mergulhado na dor e no desespero, palavras de conforto e esperança com sua visão messiânica de um acontecimento grandioso da intervenção de Deus para alivio de todos os que sofrem: dos deprimidos, dos cegos, dos surdos, dos coxos e dos mudos, dizendo: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, […] é ele que vem para vos salvar”. (Is 35,4). Deus vem recompensar o seu povo e retribuir, a cada um segundo as suas obras. Assim, todos exultarão com gritos de alegria. É uma visão messiânica e apocalíptica da salvação operada por Deus em favor de seu povo Israel.

Na segunda leitura, São Tiago chama a atenção de todos, dizendo: “a fé que tendes em nosso Senhor Jesus Cristo glorificado não deve admitir acepção de pessoas” (Tg 2,1). Portanto, convida os cristãos a viverem o amor e o acolhimento de todos, especialmente os pequenos e pobres que são os prediletos de Deus. Seguir Jesus Cristo é viver sem discriminação de pessoas e este deve ser o compromisso de todos nós.

O Evangelho nos remete ao caminho percorrido por Jesus que, por onde passa realiza sinais libertadores. Muitos milagres ele realiza e instrui os seus discípulos, despertando todos à fé. Neste contexto, Jesus realiza um gesto de libertação plena do homem surdo e mudo. Tocando em seus ouvidos e em sua língua, diz: “Éfatá!”, que quer dizer: “Abre-te!” (Mc 7,34). Este encontro com Jesus torna o homem uma nova criatura que libertado de suas amarras, passa a ouvir e falar com dignidade e o insere novamente no convívio social.

Prezados irmãos e irmãs. A Palavra de Deus lida e meditada diariamente, nos anima, orienta e conduz com a certeza que temos um Deus que se preocupa com nossa história marcada pela dor, sofrimentos e angústias. Um Deus que vem ao nosso encontro para libertar de tudo o que nos impede de viver com dignidade. Ele somente pede que, assim como Ele vem ao encontro de todos com amor, estejamos também nós comprometidos com a prática do amor e da misericórdia. Pede que nos deixemos encontrar por Ele; deixemo-nos amar por Ele e deixemo-nos tocar por Ele, a fim de construirmos relacionamentos verdadeiramente humanos, sem distinção de pessoas, “pois somos um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). Somos chamados ainda a reconhecer e dizer também: “Ele tem feito bem todas as coisas: aos surdos faz ouvir e aos mudos, falar” (Mc 7, 37).

A experiência que fazemos neste encontro com Deus através de sua Palavra é transformadora para a nossa vida. Então suplicamos: “O Senhor Jesus que fez bem todas as coisas vos preserve de todos os males, cure os doentes e vos ajude a viver o espírito de serviço solidário a todos os que necessitam de cuidado especial e que à luz do Evangelho desta celebração, procuremos ter igual solicitude dos amigos do surdo e gago que o levaram a Jesus e a termos a mesma atenção de Jesus para com ele” em nossos relacionamentos familiares e comunitários. Amém!

Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim