Artigos, Bispos › 13/05/2022

A glória de Deus é o amor

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A palavra do Senhor acompanha o nosso caminho de peregrinos com grande realidade. Aquela realidade do mistério pascal, onde alegria e dor, morte e vida, não se excluem mutuamente, mas permanecem unidas em uma forte comunhão. Este fruto da humanidade reconciliada é o testemunho mais bonito do reino que vem, e que o Filho de Deus inaugurou na sua Páscoa, depois de nos ter prometido que nada e ninguém poderia jamais tirar a nossa alegria (Jo 16,23).

A boa notícia que nos é doada neste final de semana, através da Palavra de Deus, é a confirmação de que o cansaço e as dificuldades que encontramos no peregrinar da vida, não são um obstáculo para a realização do reino, isto é: para termos uma vida bela e plena; mas são, antes de tudo, o caminho e a porta que nos conduzem ao Pai.

Pode ser um paradoxo, mas se nos colocarmos na escuta humilde da Palavra, seremos aos poucos conduzidos e levados a compreender, que o segredo que está no coração do Evangelho, e é a essência de Deus, é o amor. A grandeza do amor, vitorioso sobre o mal e sobre a morte, e toda a ternura com a qual se faz disponível para assumir cada aspecto da realidade, atravessando também a escuridão da dor e da prova, com a luz da fé e a força tênue e intrépida da esperança. É no amor humilde que se revela a glória de Deus. Uma glória tão diferente da nossa, tão diversa das glórias que propõem o mundo, mesmo assim podemos sentir que é verdadeira. O nosso coração pode ter uma profunda e bendita saudade de perceber o sabor autêntico e único desta glória.

É bonito poder ver no texto dos Atos dos Apóstolos (At 14,21b-27), como a fé é um dom de Deus vivido em comunhão: quanto é importante sustentar-se crendo no amor! Paulo e Barnabé confirmam os discípulos para que permaneçam firmes na fé, mesmo em meio às tribulações que estão atravessando. Queridos irmãos e irmãs, não podemos esquecer que Deus age na nossa vida com o seu amor, que tem a força de abrir a porta da fé e da esperança, que pode estar enferrujada no nosso coração.  Ele, que deu a sua vida por amor a todos os homens, nos chama para entrarmos na verdadeira glória do seu Reino.

A Igreja, através dos milênios, não se cansa de voltar ao Cenáculo para permanecer ao lado do seu Senhor e Mestre, meditando sobre seus gestos tão preciosos e as suas palavras proclamadas na vigília da sua paixão e morte, guardando com cuidado, como um precioso testamento que Ele nos deixou para viver na sua memória. Deus não possui outra glória que a sua paixão por nós, o seu desejo de dar a si mesmo para que possamos ter vida em abundância, participando plenamente da comunhão com ele e participando de toda a dignidade dos filhos, herdeiros da sua glória. Uma glória que deseja tomar carne em nós e na nossa experiência de vida, transformando o nosso modo de amar, assim que no amor recíproco, nutrido e vivificado pela sua misericordiosa fidelidade, resplandeça o sinal pascal da nossa pertença a Ele e do nosso verdadeiro testemunho, de que a glória de Deus é o amor.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul