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A humilde entrada de Jesus em Jerusalém

Ao celebrarmos hoje o Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, escutamos a descrição que nos faz São Lucas, que teve o cuidado de nos dizer no Livro dos Atos dos Apóstolos, que tudo investigou minuciosamente. E ele é, dos quatro Evangelistas, o mais erudito.

Jesus é o Messias sofredor de que fala a primeira Leitura (Isaías 50,4-7) e o servo obediente até a morte de cruz, como nos diz São Paulo na segunda Leitura (Filipenses 2,6-11).

Jesus entra em Jerusalém não como um rei revestido de poder político-militar, mas como o rei messiânico, montado num jumentinho, como anunciara o profeta Zacarias 9,9. São Lucas (Lucas 19,28-40),  narra que só a multidão dos discípulos O aclamava por causa de “todos os milagres que tinham visto”. Por seu lado os fariseus pedem: “Mestre, repreende os teus discípulos!” a que Jesus responde: “se eles se calarem, clamarão as pedras!” De fato também a criação vai dar testemunho. A Terra vai estremecer, o sol vai perder a sua luz e o dia vai transformar-se em noite: “as trevas cobriram toda a terra, porque o sol se tinha eclipsado”. Jesus, que vai humildemente montado num jumentinho, é verdadeiramente o Senhor do Universo e da Sua Redenção beneficiarão todas as criaturas.

A leitura da Paixão (Lucas 22,14-71; 23,1-56) começa com Jesus sentado à mesa, afirmando que desejava “ardentemente comer aquela Páscoa” com os seus discípulos. Tinha chegado a Sua hora. Jesus sabia que era a última refeição que teria, antes de morrer, com os seus queridos Apóstolos. Revelando uma profunda paz, vive, desde já, interiormente a Sua morte. Vai voluntariamente dar a maior prova do Seu Amor por nós, morrendo na cruz. Mas quer também ficar conosco. É neste ambiente tão íntimo e de significado tão profundo que vai concretizar a promessa feita a quando do milagre da multiplicação dos pães. Livremente oferece o Seu Corpo e o Seu Sangue como nosso alimento de vida eterna. Dá graças. Aponta-nos o sentido de Sua morte oferecendo a Sua vida pelos homens. “Amou-nos até ao fim!”

Antes de expirar, reza tranquilamente e cheio de confiança filial diz: “Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito”. Antes, ainda perdoa aos que O matam, desculpando-os e oferece o paraíso a todos, mesmo a um dos malfeitores! É o triunfo completo do Amor. E para perpetuar até ao fim dos tempos estes atos de tanta ternura e Amor infinito, deu aos Apóstolos e através deles, aos seus sucessores, a ordem e o poder de “fazei isto em memória de mim!”

Como é extraordinariamente importante ser-nos dada a possibilidade de participar na Santa Missa, onde se vive o prolongamento desse mesmo Amor misericordioso do Coração de Jesus. A Eucaristia ao fazer-nos viver o mistério pascal, torna-se assim também no mistério central da nossa fé.

Deus sendo infinitamente sábio e poderoso, não soube nem pode fazer mais para nos revelar o Amor infinito que nos tem. A paixão, morte e presença real de Jesus na Santíssima Eucaristia, são manifestações vivíssimas desse mesmo Amor. Tudo isto exige que em cada um de nós exista também a máxima seriedade na correspondência e aceitação deste Seu Amor. Vivamos sempre com Ele e para Ele. Sejamos instrumentos de salvação para que muitos outros O descubram e se apaixonem por este Amor!

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen