Artigos, Bispos › 25/03/2022

A Misericórdia de Deus gera alegria

Saudamos fraternalmente todos os irmãos e irmãs que acompanham a Voz da Diocese, neste 4º Domingo da Quaresma, chamado em latim, Domingo «in Laetare», isto é, «Alegra-te». Desta forma, a liturgia nos convida a alegrarmo-nos com a Festa da Páscoa que se aproxima, ou seja, com o dia da Vitória de Cristo sobre o pecado e a morte. A fonte da alegria cristã está na Eucaristia, a qual Cristo nos deixou como alimento espiritual, enquanto peregrinamos neste mundo. Esta alegria brota da nossa harmoniosa relação com Deus e com os irmãos, tendo como fundamento a vivência do amor misericordioso do próprio Deus, exemplificado por Jesus na narrativa da parábola do Filho Pródigo, deste Domingo.

Caríssimos irmãos e irmãs, no caminho quaresmal que estamos trilhando, somos chamados a redescobrir o rosto misericordioso de Deus que como Pai nos ama com amor infinito, apesar de nossa desobediência e distanciamento, devido as nossas escolhas erradas ou equivocadas.

A lª Leitura relata como Israel celebra a Páscoa, na Terra Prometida. É a primeira Páscoa numa terra de liberdade plena, como início de uma vida nova. É a Páscoa da grande festa de Ação de Graças, pois Deus cumpriu sua promessa de libertação.

Na 2ª leitura, São Paulo fala à Comunidade de Corinto sobre a vida nova, de liberdade interior operada por Cristo no mistério de sua Paixão, Morte e Ressurreição. Para conquistar esta liberdade é preciso acolher o amor de Deus oferecido a cada um por meio de Jesus, sendo que isto só é possível por meio da reconciliação com Deus e com os irmãos. “Se alguém está em Cristo, é uma nova criatura” (1Cor 5,17), diz São Paulo. E prossegue: “Deixai-vos reconciliar com Deus” (1 Cor 5,20). Ser cristão é aceitar essa Reconciliação com Deus, em Cristo. A comunhão com Deus exige a reconciliação com os outros irmãos.

O texto do Evangelho apresenta Jesus diante das críticas dos escribas e fariseus sobre a sua relação com os pecadores: “Este homem acolhe os pecadores e come com eles” (Lc 15,2). Assim, Jesus conta a Parábola do Filho Pródigo, considerado um dos textos mais belos da Sagrada Escritura. Tal Parábola revela a grandeza do amor misericordioso de Deus, como Pai. O Filho mais novo pede a herança e parte para um país distante, onde gasta todos os seus bens de forma desenfreada. Esta é a experiência de tantos irmãos e irmãs de nosso tempo, que optam por uma vida de distanciamento de Deus.  A Parábola revela, ainda, que o amor de Deus respeita a liberdade e a decisão do filho que parte e se distancia. Todavia, o amor de Pai permanece o mesmo, sempre pronto a acolher o filho arrependido, que regressa. Por isso, o Pai faz uma festa àquele que estava “morto e voltou a viver, estava perdido e foi encontrado” (Lc 15,32).

Prezados irmãos e irmãs. Lembramos que às vezes nos deparamos com dificuldades em nossa vida e achamos que é Deus nos castigando, mas na verdade o sofrimento muitas vezes é fruto de uma liberdade mal usufruída. Somos nós que nos distanciamos de Deus. Por isso, não esqueçamos que é sempre tempo de voltar ao Pai, na certeza de que ele está sempre a nossa espera. Não podemos esquecer que nossa comunhão com Ele passa também pela comunhão com nossos irmãos e irmãs. Assim, ao caminharmos para a Festa da Páscoa, sentindo o amor de Deus por nós, aproximemo-nos de nossos irmãos e irmãs com os braços abertos, a fim de manifestar o mesmo amor misericordioso, que gera a alegre inspiração para cantar a Bondade do Senhor.

Deus abençoe a todos e um bom final de semana.

Dom Adimir Antonio Mazali – Bispo Diocesano de Erexim