Artigos, Bispos › 26/10/2021

A Missão da Igreja

Nas atuais Diretrizes Gerais da CNBB (2019-2023) destaca-se a criação das comunidades eclesiais missionárias, como necessidade urgente na vida atual da Igreja. O mesmo documento (nº 109) afirma que são estéreis as comunidades que não geram missionários e estes precisam estar fundamentados na vida da comunidade para não serem “andarilhos solitários, sem referências existenciais para sua atuação” (cf. Apresentação).

No final do mês missionário, desejamos refletir um pouco sobre a origem, o fundamento da missão da Igreja, para a qual todos/as somos convidados/as. O próprio Jesus afirma aos discípulos: “Como o Pai me enviou, assim também eu envio vocês” (Jo 20, 21). O verdadeiro encontro com Jesus Cristo e consequente seguimento, cheio de ardor missionário, deve tornar-se realidade concreta em todos os estados de vida: leigos/as, consagrados/as, ordenados. Na Sagrada Escritura percebemos que o tema vocação sempre vem relacionado com a missão. O chamado é feito em vista de uma missão: Deus chama e envia. S. João Paulo II afirma que a vocação ou aconsagração “é para a missão” (cf. PDV 24). E São Paulo alerta: “Ai de mim, se eu não anunciar o evangelho” (1Cor 9, 16).

O Concílio Vaticano II afirma que nosso “ser missionário” está inerente ao batismo, pelo qual participamos da Igreja –Povo de Deus: no qual todos possuem a mesma dignidade, todos somos chamados à santidade e todos convocados a participar da vida e da missão da Igreja (cf. Lumen Gentium, Cap. 2 – Vaticano II). O mesmo Concílio afirma: “Toda a Igreja é missionária. A obra da evangelização é um dever fundamental do povo de Deus” (AG 35). Evangelizar a humanidade é a missão essencial da Igreja. Neste sentido, São Paulo VI conclui: “A Igreja existe para evangelizar”(EN 14). Do contrário perderia sua razão de ser. O Documento de Aparecida também insiste que não há como ser discípulo sem ser missionário e não há verdadeira Igreja se ela não for missionária: “A missão é inseparável do discipulado” (DAp 278e). O Papa Francisco reflete na mesma linha, dizendo: “Em todos os batizados, desde o primeiro ao último, atua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar…” (EG 119). E continua, em seguida: “Em virtude do Batismo recebido…, cada batizado, independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, é sujeito ativo de evangelização… É missionário na medida em que se encontrou com o amor de Deus em Cristo Jesus” (EG 120).

Essa evangelização, portanto, não pode ficar somente “ad intra”, em nível interno, pois a Boa Nova deve ser levada também a todas as realidades da vida humana: “Chegar a atingir e como que a modificar pela força do Evangelho os critérios de julgar, os valores que contam, os centros de interesse, as linhas de pensamento, as fontes inspiradoras e os modelos de vida da humanidade, que se apresentam em contraste com a Palavra de Deus e com o desígnio da salvação” (EN 19). Para tal, a missão da Igreja necessita de verdadeira espiritualidade missionária, deixando-se conduzir pelo Espírito: anunciar com alegria a Palavra de Deus, depois de ouvida e integrada na vida,sobretudo pelo testemunho (cf. DAp 18 e 29).

O Senhor faça de todos nós permanentes discípulos missionários e discípulas missionárias nos diversos estados de vida.

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul