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A necessidade da conversão

O tempo da Quaresma é o tempo da penitência, da conversão.

A Sagrada Liturgia nos recorda a urgência da conversão, já que os tempos de nossa vida são sempre curtos e incertos. O que é a vida de uma pessoa nesta terra, senão uma passagem fugaz, um encaminhar-se para o definitivo que é a eternidade? Pior de tudo, não sabemos quantos serão os nossos dias neste mundo. Vivemos uma realidade que escapa à nossa decisão: a duração de nossa vida não nos pertence.

Neste contexto de imprevisibilidade, a decisão mais sabia é aquela de buscar sempre Àquele que cuida de nós nesta vida e quer nos levar para junto de si, na vida eterna. É neste sentido que devemos compreender o convite à conversão: trata-se de preocupar-se em estar sempre em comunhão de amor com Aquele que não só cuida de nós aqui, neste mundo, mas que nos oferece a felicidade definitiva, na vida eterna.

É importante salientar que a conversão autêntica não é um ato limitado a gestos superficiais ou que permanecem no âmbito dos bons desejos. A autentica conversão para a qual a Quaresma nos conduz significa uma verdadeira “quebra” de parâmetros, ou seja, de hábitos, de costumes, de situações vividas e tidas como “normais” em nossas vidas. A conversão é uma mudança de rumo, a ruptura necessária entre uma mentalidade acostumada ao pecado, às infidelidades a Deus, aos valores puramente humanos, fundamentados no orgulho e na autossuficiência humanos, trocando tudo isto por uma nova orientação de vida, por uma total adesão ao Reino de Deus, como ele nos foi oferecido por Jesus. A conversão quaresmal produz cristãos humildes, autênticos na vivência do Evangelho, homens e mulheres que vivem com profundidade a sua fé, encarnada nas realidades de cada dia.

A 1ª Leitura deste Domingo da Quaresma (Êxodo 3,1-8.13-15) nos apresenta um dos textos mais importantes de toda a História da Salvação: a revelação de Deus a Moisés no monte Horeb.

Deus toma a iniciativa. Ele entra na vida de uma pessoa e nos acontecimentos humanos, para dar continuidade a seu plano de salvação. O nome de Deus é revelado: “Aquele que é”. Tal nome não tem um sentido estático. Ao contrário, é o Deus “que é” e aquele “que faz ser”, ou seja, aquele que age para salvar seu povo.

Na 2ª Leitura (1ª Coríntios 10,1-6.10-12), o Apóstolo São Paulo nos ensina, de forma resumida, os principais acontecimentos da ação de Deus no Êxodo e os erros do povo eleito, principalmente por causa da rebeldia e da idolatria. São Paulo alerta a Comunidade cristã de Corinto do risco que está correndo em repetir os mesmos erros do povo eleito, no deserto. Deus sempre oferece a salvação, mas é preciso que o homem se disponha a colaborar com a obra de Deus.

O Evangelho (Lucas 13,1-9) nos mostra a Palavra de Jesus frente a dois acontecimentos trágicos de seu tempo: a morte de alguns galileus por decisão de Pilatos e a queda de uma torre, em Siloé que matou 18 pessoas. Jesus ensina que uma desgraça não é sinal de castigo de Deus para quem a sofre. Mas sim um convite a uma autêntica conversão para os que sobrevivem. Todos precisamos de penitência e de conversão e todos os acontecimentos do dia a dia devem nos fazer refletir e devem nos levar a buscar sempre a Deus.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen