Artigos, Bispos › 10/06/2021

A Palavra ilumina

“Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus passos” (Sl 119,105). Esta afirmação do salmista pode ser assumida como um programa de vida.

Os discípulos do Crucificado-Ressuscitado são convidados a ter consigo a Palavra do Senhor como alguém que carrega um bebê nos braços, com afeto e reverência, de modo que ela seja, de fato, luz nos caminhos da vida.

Vivemos um tempo dominado pela cultura urbana. Neste contexto sócio-cultural não há mais como tomar por pressuposta a compreensão e a aceitação de Jesus Cristo. Faz-se necessário propor processos de reiniciação contínua à vida cristã. Tal situação requer coragem e ousadia para passar de uma pastoral de conservação ou manutenção para uma pastoral decididamente missionária. Como proceder?

Sentimos a urgente necessidade de nos educar para a escuta da Palavra. Sintonizados nela podemos acolher as aspirações, expectativas, esperanças e dores dos homens e mulheres do nosso tempo.

Não se pode esquecer que a característica do cristão se encontra na experiência vivida em comunidade e que desde os primeiros séculos gerou fascínio e força para viver.

A comunidade é lugar privilegiado de encontro fraterno. Nela o discípulo do Senhor se sente irmão. Nada que diga respeito à alegria e à dor do outro lhe é indiferente.

“A Igreja funda-se sobre a Palavra de Deus, nasce e vive dela” (Bento XVI). Essa centralidade da Palavra na vida das comunidades cristãs é fundamental para a identificação e configuração com o “Verbo que se fez carne” (Jo 1,14).

O antigo e sempre atual método da Leitura orante da Palavra, que pode ser aplicado individualmente, mas preferencialmente em pequenos grupos de pessoas, é um meio privilegiado de intimidade com a Palavra.

Abrindo o coração, permitindo que ela ilumine a mente, nutra o espírito, encoraje o testemunho pessoal e ilumine nossos passos, estaremos certamente contribuindo para a construção do Reino de Deus anunciado por Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, colaborando para deixar o nosso mundo um pouco melhor para as futuras gerações.

Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e primeiro vice-presidente da CNBB