Artigos, Bispos › 08/04/2020

A Páscoa cristã

A quaresma tem sido um tempo de conversão, tempo para debulhar nossa vida diante do Senhor e limpar a eira para o grande encontro com o Ressuscitado.

O encontro com o crucificado-ressuscitado que nos redimiu e fez irmãos nos coloca no caminho da solidariedade, da vida doada até a morte e morte de cruz, na total obediência ao projeto do amor misericordioso do Pai que conduz a salvação.

A Semana Santa é por excelência a semana da verdadeira solidariedade porque ninguém como Jesus amou com tamanha gratuidade. Aos algozes que o pregavam na cruz e aos que zombavam Dele e o desafiam a descer do madeiro, simplesmente pede ao Pai: “perdoa-lhes pois não sabem o que fazem!”.

Por isso o Evangelista São João pode afirmar: “tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim”. Uma entrega radical da própria vida. Assim, “aquele que não tinha pecado se fez pecado para nos libertar do pecado e da morte”. Isso é Páscoa.

O amor fiel até a morte e morte de cruz do Filho Unigênito de Deus, tornou-se causa de salvação de toda humanidade. Esse é o principal fruto da Páscoa cristã: a passagem da morte para a vida, da escravidão para a liberdade, do pecado para a graça. É a vitória do amor. O batismo nos introduz nessa vida nova de ressuscitados em Cristo.

A ressurreição de Jesus é a Boa Notícia a ser anunciada a todos os povos em todos os cantos do mundo. É a grande novidade, o mistério de amor que faz a diferença. Nunca, antes, se ouviu coisa igual!

O mistério da encarnação, paixão, morte e ressurreição de Jesus nos revela o amor apaixonado de Deus pelos homens. Ele veio para que todos tenham vida e vida plenamente.

Ah, se os homens entendessem um pouco disso tudo! Certamente o mundo seria bem diferente: muito mais irmão, fraterno e solidário.

Participar da celebração do Tríduo Pascal – mesmo só pelos meios de comunicação – é a forma mais simples e singela para reviver a alegria do encontro com o Ressuscitado.

Se a Páscoa não nos faz mais atentos aos irmãos, mais sensíveis aos clamores que chegam até nós, Ela ainda não aconteceu no nosso coração. Se a celebração da Páscoa não nos leva a amar mais, perdoar mais, servir mais, sermos mais alegres e vigorosos em nossa fé, significa que não nos convertemos o suficiente.

Troquemos entre nós, mesmo que seja virtualmente, o ósculo da paz: Feliz Páscoa!

Para refletir:

O que significa para mim a Páscoa? Como costumo celebrar e viver essa solenidade em mina família e na comunidade? Que sinal de ressurreição despontou na Páscoa deste ano?

Textos bíblicos: At 10, 34-43; Cl 3, 1-4; Jo 20, 1-9; Sl 117(118).

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo Diocesano