Artigos, Bispos › 12/08/2019

Assunção de Nossa Senhora

A Assunção de Nossa Senhora é celebrada em todo o mundo cristão, desde há muitos séculos. S. João Damasceno, na segunda metade do século VII, deixou um sermão famoso sobre a «dormição» de Nossa Senhora no qual nos transmite a tradição desta verdade de fé.

Maria, promessa da vitória

O texto do Apocalipse é uma proclamação da vitória da Igreja sobre o demônio, pela intervenção de Maria. Esta certeza foi já profetizada no Gênesis. «Ela esmagará a cabeça» da serpente infernal.

A serpente do Gênesis, porém, armará ciladas ao seu calcanhar, tentando atingi-lo. A figura do calcanhar usa-se na linguagem corrente para significar o ponto mais vulnerável, mais sensível de uma pessoa. Para uma mãe, o que ela tem de mais sensível são os filhos.

Até ao fim dos tempos, o demônio procurará arrastar os filhos da Mulher – a Virgem Imaculada – à eternidade infeliz.

Esta Mulher aparece agora gloriosa na visão do Apocalipse em luta contra o Dragão (a serpente infernal) e vencendo-o.

  1. a) Maria, resplandecente de glória na Assunção. «Apareceu um sinal grandioso». A Assunção de Nossa Senhora é a sua glorificação final.

Jesus Cristo antecipou n’Ela o que há de acontecer com todos os membros do Corpo Místico, no fim dos tempos.

Em atenção a que for a escolhida para Mãe de Deus, foi preservada, pelos méritos de seu Filho, da corrupção do túmulo, por este privilégio singular.

Qual dos filhos, se pudesse, não faria o mesmo à sua mãe? Maria é a Arca da Aliança que guardou em seu seio durante nove meses o Filho de Deus, O estreitou contra o coração muitas vezes O alimentou  e defendeu dos perigos.

Ao meditarmos nesta verdade, podemos raciocinar como no dogma da Imaculada Conceição: Deus podia tê-lo feito; convinha que o fizesse; e, portanto, o fez.

  1. b) A cheia de graça. «uma Mulher revestida com o Sol». Maria é a cheia de graça, a Imaculada Conceição, como a proclama o Arcanjo S. Gabriel no momento da Anunciação.

A manifestação de Nossa Senhora, nesta visão do Apocalipse, é também um apelo à santidade pessoal para cada um de nós. Salvas as distâncias, cada um de nós está vocacionado para se parecer com Ela. Só o seremos na medida em que procurarmos que o Espírito Santo nos transforme nesta luz que é a graça de Deus.

  1. c) Rainha do Universo. É «uma Mulher (…) com (…) a Lua debaixo do pés.» Podemos ver nela um símbolo de toda a criação.

Tem como missão conduzir os filhos de Deus – contando com a nossa humilde colaboração – à vitória sobre o demônio.

É da união com Ela, que procuramos cultivar por uma verdadeira devoção, que depende a vitória no espaço do mundo que nos está confiado.

A sua presença é um apelo à coragem e ao otimismo, nesta luta sem tréguas. Basta que façamos o que está ao nosso alcance, para que o Povo de Deus triunfe.

Não será, com certeza, uma vitória ao modo humano de pensar, com triunfalismos que a nada conduzem, mas uma fermentação de santidade em cada um de nós e à nossa volta.

  1. d) Mãe da Igreja. «Na cabeça, uma coroa de doze estrelas.» É uma alusão às doze tribos de Israel, a todo o Povo de Deus da Antiga Aliança. O Povo de Deus da Nova Aliança, que nasceu do lado aberto de Cristo na Cruz é a Igreja.

A coroa mais preciosa para uma mãe são os seus filhos ornados com as virtudes. Com que alegria falam eles das qualidades, boas ações e triunfos daqueles que deram à luz!

Embora nos sintamos muitas vezes tentados pelo desânimo, quer pelas dificuldades que o Dragão infernal semeia no nosso caminho, quer pelas tentações contra a fé que nos sugerem a derrota ou que tudo acabaria com a morte, a presença de Maria Santíssima, gloriosa em corpo e alma no Céu, é uma ajuda para vencermos nesta luta quotidiana. Basta que levantemos o olhar para Ela, por um simples pensamento ou jaculatória, para sentirmos renovar as nossas forças.