Artigos, Bispos › 23/09/2019

Bem-aventurados os pobres em espírito.

Ó minha alma louva o Senhor! Assim pedimos neste Domingo, repetindo o refrão do Salmo Responsorial (Salmo 145). E nós louvaremos o Senhor no tempo e na eternidade, na medida em que neste mundo, onde por algum tempo nos encontramos, optarmos pelo Senhor, isto é, conforme aceitarmos viver com Ele. Como vimos já no último Domingo, não é possível servir a dois senhores, a Deus e ao dinheiro. Só estaremos verdadeiramente com Ele, na medida em que não nos prendermos às coisas deste mundo.

As leituras da Missa de hoje são mais um alerta para esse terrível engano, que é vivermos para as coisas da terra, em vez de nos voltarmos para o Senhor dessas mesmas coisas. Por isso o projeto de Amós, na 1ª Leitura (Amós 6,1.4-7) proclama “Ai daqueles que vivem despreocupadamente…”

Naquele tempo as pessoas julgavam que só quem possuísse bens, era abençoado por Deus. Amós acaba por afirmar: “esses ricos partirão para o exílio”, o que de fato aconteceu, pois foram feitos prisioneiros e levados para a Babilónia. Um verdadeiro castigo por viverem acintosamente de riquezas, insensíveis aos sofrimentos dos irmãos.

Jesus, no Evangelho (Lucas 16,19-31), com a parábola do pobre Lázaro, faz salientar mais uma vez a grande ilusão que é viver voltado para as coisas do mundo, o que leva Jesus a afirmar, em outra passagem do Evangelho, “que será mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos Céus”.

O Senhor não nos quer ver viver na miséria. Todas as coisas foram criadas por Ele para nós as usufruirmos. Mas, como é importante saber fazer bom uso delas! E tal só acontecerá na medida em que tivermos consciência de que tais bens são só dele. A nós compete saber administrá-los, distribui-los pelos mais necessitados.

Para não cometermos tão desastrosos negócios, é importantíssimo sermos iluminados pela Palavra de Deus. Por isso, ao pedido que o rico faz, para que Abraão envie alguém avisar os seus irmãos, recomenda-lhes que escutem Moisés e os Profetas.

Vamos estar atentos à Palavra do Senhor. Vamos pautar por esta Palavra a nossa vida, para que, vivendo numa atitude de humildade, de desprendimento, saibamos sempre fazer bom uso dos bens deste mundo e assim bem libertos, podermos um dia chegar ao seio de Abraão, isto é, ao Reino dos Céus.

Na 2ª Leitura, São Paulo nos alerta a que fujamos das coisas perversas, buscando a justiça, a piedade, a fé, o amor, a firmeza, a mansidão. Precisamos entender definitivamente que a vida cristã é e será sempre uma luta, um combate, no qual somos apenas colaboradores de Deus. Ele jamais perde batalhas.

Irmãos e irmãs, preparemo-nos, nestes últimos dias que antecedem o mês de outubro, para vivermos bem o Mês Missionário especial, proposto pelo Papa Francisco. Através da oração pelas Missões, através das reflexões que a Igreja nos propõe sobre este tema, e especialmente através de nossa colaboração na Coleta Missionária deste ano, que sustenta inúmeras obras em países onde a semente do Evangelho ainda está sendo lançada, participaremos intensamente deste Mês Missionário especial.