Artigos, Bispos › 17/07/2020

“Caminhos Infernais” escancarados pela COVID19

A civilização pós-moderna, a passos largos, estava e está se enveredando num “caminho infernal” do vazio, do achismo e da indefinição. Pasmemos, a COVID19 deixou e está deixando esse “caminho infernal” escancarado. E uma coisa é certa, esse caminho não proporciona o sonho do Deus-criador da “via celeste” da plenitude, da profundidade e da consistência para todo o gênero humano.

Na parábola do “Semeador e a semente”, narrada pelos Evangelhos bíblicos neotestamentários, o Mestre Jesus de Nazaré já denunciava o “caminho infernal” do vazio, do achismo e da indefinição.

Ao explicitar na parábola que “parte das sementes que o semeador semeou, caíram na beira do caminho e os pássaros vieram e as comeram”, estava Jesus de Nazaré vislumbrando uma civilização pós-moderna do “aparentismo deleitoso”. O que vale nesse “aparentismo deleitoso” é o que aparece; o que me faz aparecer é que me dá deleite; importa aparecer para “estar bem”.Porém, as meras aparências criam o “caminho infernal” do “vazio”, em substituição do “céu da plenitude”. As meras aparências apenas são “alimento para os pássaros”, cujo habitat é o vazio atmosférico.

Prossegue a parábola, ela descrevendo que “outras sementes caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, as sementes logo brotaram, porque a terra não era profunda; mas, quando o sol apareceu as plantas ficaram queimadas e secaram, porque não tinham raiz”. Jesus de Nazaré, aqui,estava chamando a atenção para uma civilização pós-moderna caracterizada por um”superficialismo desenraizado”. Nesse “superficialismo desenraizado”, tudo é regido pela opinião superficial. Nada é profundo, com raízes; importa o que me convém facilmente. De fato, as meras opiniões superficiais trilham o “caminho infernal” do “achismo”, que se coloca no lugar do “céu da profundidade”. As “meras opiniões superficiais” não aguentam a “luz do sol que as queima”.

Na parábola é descrita uma terceira situação: “Outras sementes caíram no meio dos espinhos; eles cresceram e sufocaram as plantas”. Com essa situação, Jesus de Nazaré, estava apontando para uma civilização pós-moderna que está tomada por um “pluralismo inconsistente”. Nesse “pluralismo inconsistente”, o que vale é o infindável sortimento de vanidades; tudo é “válido”; o que destrói vale tanto quanto ou até mais do que constrói. Os meros sortimentos vãos, sem juízo de valor, levam a um “caminho infernal” da indefinição, substituindo o “céu da profundidade”. Ao mero sortimento vão só resta o “sufoco”.

Oxalá, a atual civilização humana, atacada pela pandemia covídica, tenha coragem de reconhecer os “caminhos infernais” do vazio, do achismo, da indefinição, nos quais se enveredou e está se enveredando. Precisamos urgentemente aprender a caminhar na “via celestial” da plenitude, da profundidade e da consistência. Senão, os “pássaros continuarão comendo” a nossa felicidade da verdade segura, o “sol continuará queimando” a nossa felicidade do caminho certo, e, os “espinhos continuarão sufocando” a nossa felicidade da vida plena. Em última análise é uma questão de felicidade!

Dom Jacinto Bergmann – Arcebispo de Pelotas