Artigos, Bispos › 17/04/2020

Como está a Arte Sacra?

É importante abordar este tema? Acreditamos ser oportuno, pois a arte sacra está presente em nossas vidas, nas igrejas, no turismo e nos museus. Ela conduz o homem de fé para além de si mesmo, para o sobrenatural, para Deus. A tentação hoje é o pragmatismo, materialismo e consumismo. A arte sacra, porém, aponta para o indizível e o invisível. O doutor da Igreja, João Damasceno (650-754), escreveu:”Se um pagão se aproxima e te diz: ‘mostra-me tua fé’,(…) leva-o à igreja e o faz ver a decoração que a orna e explica-lhe a série dos quadros sagrados”(cf. PG 95,325 CD).

O templo, como lugar sagrado, traz um conjunto de realidades que se harmonizam: a iconografia, a arquitetura, as decorações, vestes, efeitos da luz, música, cantos e ritos. Quando o templo é artístico, a arte em sua beleza, estampada no visível e sensível, eleva o esplendor, toca os sentimentos e evoca o inefável.

O Professor Pe. Urbano Zilles assim se expressa: “A linguagem da arte, seja na arquitetura, na música, na pintura, na escultura ou na literatura, ajuda a traduzir a beleza da mensagem divina de modo que torne perceptível o mundo invisível… Partindo dos sentidos considerados nobres – vista e ouvido – pode dividir-se as artes em plásticas (espaço e imobilidade) e rítmicas (do tempo e da mudança). Entre as primeiras incluem-se a arquitetura, a escultura e a pintura e nas segundas, a música, a dança e a poesia. Embora se trate de uma classificação deficiente, podemos dizer que a linguagem da arte perde poder de definir e se converte em celebração e louvor quando tenta expressar o divino” (cf. U. Zilles; Significado dos Símbolos Cristãos; EST Ed.; 2018; pg. 84).

Na história, a Igreja sempre procurou valorizar a arte, bem como os artistas. Isto porque ajudam pela forma sensível expressar o invisível, o belo, o divino.  A arte mostra o invisível pelo visível e “dá forma humana ao divino”.

Também em nossos dias a Igreja valoriza e promove a arte sacra sob todas as formas. A Igreja não tem um estilo artístico oficial próprio, mas acolhe todo o estilo, desde que “sirva com a devida reverência e a devida honra às exigências dos ritos e edifícios sagrados” (cf. SC n. 123). O Concílio Vaticano II incentiva a arte sacra, bem como a formação dos artistas e do seu clero para que apreciem e conservem as obras de artes da Igreja e produzam novas ações artísticas para a glória do Senhor e a evangelização dos povos dentro de suas culturas características e históricas.

Nosso Estado do Rio Grande do Sul possui inúmeras obras famosas tanto nas artes plásticas quanto nas rítmicas. Desejamos crescimento no presente e no futuro!

Dom Hélio Adelar Rubert – Arcebispo de Santa Maria