Artigos, Bispos › 08/01/2020

Construir a Paz!

Para iniciar bem este novo ano, o Papa Francisco enviou para o mundo uma mensagem intitulada: “A paz como caminho de esperança: diálogo, reconciliação e conversão ecológica”. Esta mensagem atinge a realidade atual da humanidade.

Afirma que a esperança é a virtude que coloca o ser humano a caminho, dá asas para prosseguir, mesmo quando os problemas parecem intransponíveis. “A nossa comunidade humana traz, na memória e na carne, os sinais das guerras e conflitos que têm vindo a suceder-se, com crescente capacidade destruidora, afetando especialmente os mais pobres e frágeis. Há nações inteiras que não conseguem libertar-se das cadeias de exploração e corrupção que alimentam ódios e violências… A guerra, muitas vezes, começa pelo fato de não se suportar a diversidade do outro, fomenta o desejo de posse e a vontade de domínio. Nasce, no coração do homem, a partir do egoísmo e do orgulho, do ódio que induz a destruir, a dar uma imagem negativa do outro e a excluí-lo”.

A paz é um caminho de escuta baseado na memória, solidariedade e fraternidade. É um desafio muito complexo. “É preciso, antes de mais nada, fazer apelo à consciência moral e à vontade pessoal e política”, enfatiza o Papa. “O mundo não precisa de palavras vazias, mas de testemunhas convictas, artesãos da paz abertos ao diálogo sem exclusões nem manipulações. De fato, só se pode chegar verdadeiramente à paz quando houver um convicto diálogo de homens e mulheres que buscam a verdade mais além das ideologias e das diferentes opiniões”. A paz se constrói constantemente. É um caminho a ser percorrido em conjunto procurando o bem comum e comprometendo-se a manter a palavra e o direito.

Segundo a mensagem do Papa, a paz se caracteriza por ser um caminho de reconciliação na comunhão fraterna. É um caminho que nos faz buscar no fundo do coração a força do perdão e a capacidade de nos reconhecermos como irmãos e irmãs. Necessitamos aprender a viver no perdão para sermos homens e mulheres de paz.

Um aspecto importante que o Papa Francisco salienta é o caminho da conversão ecológica. Vivemos num mundo cheio de hostilidade contra os outros, falta de respeito pela casa comum e a exploração abusiva dos recursos naturais. O recente Sínodo sobre a Amazônia nos leva a uma relação pacífica entre as comunidades e a terra, entre o presente e a memória, entre os seres vivos, pois o mundo é a nossa casa comum para o presente e as futuras gerações.

Por fim, o Papa Francisco nos lembra que “o caminho da reconciliação requer paciência e confiança. É preciso acreditar na possibilidade da paz. Que o Deus da paz nos abençoe e venha em nossa ajuda com Maria, Mãe de todos os povos da terra”.

Dom Hélio Adelar Rubert – Arcebispo de Santa Maria