Artigos, Bispos › 03/03/2021

Cristo é a nossa paz

Como em 2000, 2005, 2010 e 2016, neste ano de 2021, teremos uma Campanha da Fraternidade Ecumênica. Dela participam algumas igrejas irmãs, como Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, Igreja Católica Apostólica, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, Aliança de Batista do Brasil e Igreja Betesda. O tema deste ano é “Fraternidade e diálogo: compromisso de amor”. E na Carta aos Efésios encontramos a inspiração bíblica: “Cristo é a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade”(Ef 2,14a). Muitas experiências na história da humanidade nos ajudam a perceber que somos irmãos, que somos “da mesma família”, que temos um Pai comum, um Filho que nos salvou e o Espírito Santo que a todos move. A pergunta fundamental é “qual o significado dessa confissão de fé em tempos tão incertos como este em que vivemos, caracterizado por conflitos, violência, racismos, xenofobias e outras práticas de ódio?” (Texto-base, n. 1).

A Campanha da Fraternidade de 2021 quer ser “um convite a viver um jejum que agrade a Deus e que conduz à superação de todas as formas de intolerância, racismo, violências e preconceitos” (Texto-base, n. 14). A questão central é o diálogo. A primeira grande questão é “redescobrir a força e a beleza do diálogo como caminho de relações mais amorosas; denunciar a diferentes violências praticadas e legitimadas indevidamente em nome de Jesus” (Texto-base, n. 3). Sempre é bom estimular o diálogo e a convivência fraterna como experiências humanas irrenunciáveis. Toda a intolerância religiosa constrói “muros”, que separam e dividem. “A mensagem de Jesus não ergue muros, mas derruba-os, não é de ódio, mas de amorosidade. Por isso, precisamos expurgar a insensatez de nossos corações e rever a forma como vivemos a nossa fé. Precisamos de profecias que abram nossos olhos para as desigualdades, principalmente para aquelas promovidas em nome da fé em Jesus Cristo” (Texto-base, n. 91).

A diversidade conduz à unidade, em Cristo. A Carta aos Efésios trata disso. Busca a unidade entre dois grupos: os judeu-cristãos e os gentios-cristãos. Em Ef 1,10, lemos: “reunir o universo inteiro sob um só chefe, Cristo, o que está nos céus e o que está sobre a terra”. E continua ainda, dizendo que “Cristo é a cabeça” (Ef 4,15). Nele, o corpo inteiro, bem coordenado, alcança seus objetivos. Ele é o centro da fé e unifica a comunidade a pesar das diferenças. Ele nos convida a vivermos o amor que nos une. É em Cristo que podemos experimentar e viver os sinais do Reino de Deus, frutos de nosso batismo. É sempre o batismo que nos une a todos. Também, é pela mesma obra divina, a criação do Pai, que somos todos irmãos. Somos criaturas, somos formadas por Deus, criadas em Cristo, participantes da Criação. A fé em Deus não pode ter a força de que algum grupo agir com superioridade em relação a outro. O evangelho de Cristo aproxima, desfaz os preconceitos, traz as pessoas para a convivência. “Mas agora, vós que estáveis longe, fostes tornados próximos pelo sangue de Cristo” (Ef 2,13). E continua dizendo: “Assim, não sois mais estrangeiros e nem migrantes; sois concidadãos dos santos, sois da família de Deus” (Ef 2,19). Em Cristo, como “pedra mestra”, todos nós somos um só. Sem dúvidas, Cristo é a nossa paz e derruba os muros inimigos e reconcilia as pessoas inimigas.

Enfim, “através desta Campanha da Fraternidade Ecumênica, ajuda-nos a testemunhar a beleza do diálogo como compromisso de amor, criando pontes que unem em vez de muros que separam e geram indiferença e ódio” (Oração da CFE 2021).

Dom Adelar Baruffi – Bispo Diocesano de Cruz Alta