Artigos, Bispos › 27/08/2020

E quando o agosto terminar?

Nos últimos anos em que meu pai vivia ele sempre clamava pela superação do mês de agosto. Parecia prever que num destes meses de agosto, em 2003, ele de fato não conseguiu superar tudo e ficou enrolado no dia de São Roque.

Mas agosto é o mês das vocações, e quando são cinco domingos, o último é dedicado ao dia do catequista! Catequista é toda aquela pessoa que dedica parte do seu tempo à evangelização, ao anúncio de Jesus Cristo ressuscitado e ao testemunho de sua fé, esperança e caridade.

Há poucas semanas, o nosso Papa Francisco promulgou o novo Diretório da Catequese par uma nova evangelização. Insiste muito mais no testemunho do catequista, que além de passar um catecismo, precisa passar uma vivência de fé e de costumes. Sempre mais se espera do catequista uma alegre vivência da fé e este testemunho é essencial para transmitir a vontade de viver esta mesma fé.

Na liturgia deste domingo, encontramos o profeta Jeremias que dá o seu testemunho: “Seduziste-te me, Senhor, e eu me deixei seduzir; foste mais forte, tiveste mais poder” (Jer 20,7). Realmente o catequista de hoje exerce uma missão muito parecida com a dos antigos profetas. Trata-se de um compromisso com Deus. A Ele precisamos servir.

No evangelho deste domingo, é Jesus que fala uma linguagem clara e, sem rodeios, fala do que lhe vai acontecer em Jerusalém. “Então Pedro tomou Jesus a parte e começou a repreendê-lo: – Deus não permita tal coisa, Senhor! Que isto nunca te aconteça! Jesus, porém, voltou-se para Pedro e disse: – Vai para longe, Satanás! Tu és para mim uma pedra de tropeço, porque não pensas as coisas de Deus, mas sim as coisas dos homens!” (Mt 16,22-23). O verdadeiro catequista não pode ser pedra de tropeço, e precisa pensar as coisas de Deus, isto é, ter o Espírito de Deus, que acolhe até mesmo a cruz com alegria.

Este é o final de semana em que devemos homenagear os nossos catequistas, homens e mulheres, que colocam parte do seu tempo à disposição dos filhos dos outros, para transmitir as orientações da fé, por palavras e pelo exemplo de vida.

Queira a Deus que após esta longa pandemia, possamos voltar à catequese presencial, com pleno entusiasmo. Salve os bons catequistas!

Dom Zeno Hastenteufel – Bispo Diocesano de Novo Hamburgo