Artigos, Bispos › 26/03/2019

Eis o tempo de conversão…

Para o povo do Antigo Testamento a vida nova estava começando quando conseguiram entrar na terra prometida, comer os frutos da terra, e não precisar mais depender do maná que vinha diretamente de Deus. Esta experiência de vida nova nos é apresentada na primeira leitura do quarto domingo da quaresma. É a hora em que o povo celebra a páscoa, experiência de libertação e vida nova.

No evangelho deste domingo, a vida nova do filho pródigo passa por diferentes fases e ela acontece de verdade, quando ele cai em si, reconhece os seus pecados, volta para a casa paterna, humildemente, pede perdão e é reconciliado com o pai. Trata-se de uma cena fantástica em que se evidencia a misericórdia do pai.

Aliás, Jesus contou esta história do filho pródigo, precisamente para mostrar como o nosso Deus é um pai misericordioso que está sempre pronto para perdoar e perdoa tudo, oferecendo gratuitamente a reconciliação completa ao pecador arrependido.

O jovem que saiu de casa pensava em aproveitar a vida, exigia a sua parte na herança, estava a caminho da vida fácil, tinha muitos amigos, muitas festas, orgias e vida noturna. Ele pensava que a felicidade consistia em consumir, em se divertir, em fazer festas e reunir amigos. Tudo ele comprava, nos bons tempos em que tinha dinheiro.

Mas, quando terminou o dinheiro, sumiram os amigos, e ele acabou na margem da vida. Para não morrer de fome, foi colocar-se a serviço de um criador de porcos. No contexto judaico, esta era a pior profissão, ficar aí ao lado dos porcos. Desejava comer da comida dos porcos, mas ninguém lha dava.

Então, ali, naquela situação, o homem caiu em si e disse: “Quantos empregados do meu pai tem pão com fartura e eu aqui, morrendo de fome. Vou-me embora, vou voltar para meu pai e vou dizer: pai, eu pequei contra o céu e contra ti, já não mereço ser tratado como teu filho. Trata-me como um dos teus empregados” (Lc 15,17-19). Esta é uma nova forma de começar vida nova. É só ter a coragem de olhar para dentro de si, reconhecer os erros e pecados de nossa vida e, bem humildes, buscar o perdão e a reconciliação. A Igreja oferece a confissão de páscoa.

+ Zeno Hastenteufel – Bispo de Novo Hamburgo