Bispos › 03/11/2022

Eles estão vivos!

A celebração de todos os Santos e, em especial de Finados, nos faz pensar nos entes queridos que já partiram para a casa do Pai. São muitas lembranças positivas e negativas que nos fazem voltar no tempo e lembrar relações que de alguma forma – queiramos ou não – deixaram marcas em nossas vidas e, lembrá-los, provocam saudade e, algumas vezes, até lágrimas, mas nada mais humano que assim aconteça.

Para nós que acreditamos na ressurreição e na vida eterna, que sonhamos com um fim de glória, um fim feliz, um fim que não é um fim, mas o início de uma nova vida, como continuidade da presente, de comunhão plena com Deus e com todos os que nos precederam, trás uma grande consolação. Embora fisicamente mortos, todos vivem, alguns numa condição de bem-aventurança e outros de condenação, segundo as obras de justiça realizadas enquanto estavam entre nós. Basta lembrar Mt 25, 31-45: “estava com fome e me destes de comer, com sede e me deste de beber…”.

Como Deus deseja e quer, nós também desejamos e queremos que todos os homens e mulheres – nossos irmãos e irmãs – cheguem ao conhecimento da verdade e encontrem o caminho da salvação. A celebração de ‘finados’ e a memória de todos os santos com o evangelho das bem-aventuranças desperta em nós sentimentos de esperança e confiança porque Jesus nos garantiu que iria preparar-nos um lugar e que junto do Pai tem muitas moradas. O caminho a percorrer, a porta que leva à feliz eternidade é o das bem-aventuranças, da caridade, da justiça, da solidariedade, da misericórdia…

Ao rezarmos a Deus, pedindo o descanso eterno aos nossos parentes e amigos falecidos, de alguma forma, manifestamos que acreditamos estarem vivos e podem ser beneficiados por nossa solidariedade espiritual e nós agraciados com a sua intercessão. A comunhão dos santos que confessamos quando rezamos o creio expressa essa unidade entre nós que militamos neste vale de lágrimas e eles que já se encontram na glória dos santos.

Acreditamos que podemos ser beneficiados pela intercessão deles e como não sabemos quem já alcançou a glória definitiva, continuamos pedindo a Deus que dê o descanso eterno aos que ainda padecem no purgatório. Ir ao cemitério, rezando e depositando flores junto ao tumulo de algum parente ou ente querido, é um gesto bonito de fé e esperança cristã, ocasião para pensar na vida, do como a estamos levando e sobre o que nos espera. Deus conceda a todos os nossos entes queridos o descanso eterno, a luz eterna, a felicidade plena e que descansem em paz.

Para refletir: Do jeito como estou vivendo, hoje, o que posso esperar para o amanhã, quando chegar a hora de minha partida? Se soubesse que a morte bateria a minha porta, hoje, continuaria fazendo o que vinha fazendo? Penso alguma vez sobre a vida depois da morte? Tenho medo da morte? Se. Sim, por quê?

Textos bíblicos: Rom 8, 31-39; Mt 25, 31-45; Mt 5,1-12; Sl 104.

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo Diocesano de Osório