Artigos, Bispos › 15/10/2021

Ensinar a Felicidade

Na sociedade da técnica e da telemática convencionou-se ensinar a dominar ferramentas, como se isso pudesse garantir a felicidade e a realização das pessoas. A educação, agora serva do mercado, obedece as diretrizes da OCDE que  “legisla” e obriga os países a aderir aos programas de formação que, segundo os novos senhores do mundo, irão definir o sucesso ou a derrocada de uma pessoa e de uma comunidade.

Num pequeno país, situado nas montanhas do Himalaia, o soberano teve, no mínimo, uma ideia interessante: calcular o índice da felicidade das pessoas. Formou-se o que chamaram de FIB (Felicidade Interna Bruta), com o objetivo de verificar o quanto as pessoas estão realizadas e encontram sentido naquilo que fazem. Não se trata de um país com renda per capita elevada, pelo contrário. O Butão figura como uma das menores e menos desenvolvidas economias do mundo, sendo que cerca de 90% da população ainda vive da agricultura, da criação de animais e da extração vegetal.

Em meio a esses dados, à primeira vista questionáveis, esse espaço do planeta, com menos de um milhão de habitantes desponta como um dos que mais investem no mundo em educação. Herdeiros de uma rica cultura e de um legado religioso milenar apresenta uma expectativa de vida entre as 10% melhores do mundo.

Acostumados que estamos a olhar para a vida simples como primitiva e reprovável, este e outros inúmeros exemplos conduzem-nos à reflexão sobre o significado da felicidade e do verdadeiro bem-estar. Enquanto para muitos, a questão remete-se aos bilhões contabilizados pela bolsa de valores e pela compra de ações, há lideranças como o rei JigmeWangchuck que apostam em políticas sociais e econômicas que permitam aos cidadãos encontrar significado em suas vidas, a fim de sair do círculo vicioso (e escandaloso) do lucro fácil que desemboca no esvaziamento de sentido da existência.

Sempre compreendi nossa missão de educadores como uma missão. Bem mais do que ensinar a ter sucesso na vida, nossa primordial tarefa é apresentar caminhos de realização. E entendo realização para muito além das conquistas materiais. “O sucesso é ser feliz.” Está aí o título de uma obra que nunca me saiu da mente.

Neste dia dedicado aos educadores, professores e professoras que somos, apelo que voltemos àquela fonte em que nos sentimos chamados, àquele primeiro gole de água pura que sorvemos e que nos encantou tanto a ponto de decidirmos fazer de nossa vida uma constante partilha, através da educação. Lá, junto à fonte cristalina certamente recordaremos do juramento que fizemos a nós mesmos de trabalhar para que as crianças e jovens pudessem descobrir seus talentos e, potencializando-os de modo pleno, pudessem construir uma vida exitosa e feliz. Embora vivamos num país que não valoriza os mestres, com péssimos exemplos às futuras gerações, não nos deixemos medir pela régua de quem não entendeu o nosso valor.

Como bem afirmou o autor do filme O Clube do Imperador: “Bem mais importante do que todos os construtores, engenheiros e arquitetos de uma cidade são os professores, porque eles ajudam a construir a pessoa, e esta tem um valor infinito.” Parabéns, colegas educadores (as)! Continuemos fazendo o que de melhor sabemos: ENSINAR A FELICIDADE! No final, só ela importa! FELIZ DIA DO PROFESSOR (A)!

Prof. Dr. Rogério Ferraz de Andrade