Artigos, Bispos › 02/09/2019

Estás preparado?

“Qual o homem que conhece os desígnios de Deus? E quem pode imaginar o que o Senhor quer? Os pensamentos dos mortais são inseguros, e os nossos conceitos são frágeis”, diz o livro da Sabedoria na 1ª Leitura deste Domingo (Sabedoria 9,13-18). E para sermos discípulos de Cristo, precisamos conhecer o mais possível o projeto de Deus para a nossa vida. Ver se temos capacidade de aderir a Senhor. Por isso o Evangelho de hoje (Lucas 14,25-33) é um aviso sério aos que se dizem cristãos só porque foram batizados, aos que se dizem católicos só porque frequentam a Igreja. O aviso é este: Conheces bem as tuas forças? Achas que estás preparado para esta empresa? Qual é a tua fé? E a tua formação religiosa? O emprego, a família, os colegas, os teus interesses, compromissos e vícios não te virão criar dificuldades? Já cortaste com isso para te sentires mais livre e mais capaz de colaborar com a graça de Deus?

Para que isto não nos pareça uma coisa exorbitante, Cristo serve-se de dois termos de comparação muito correntes: um homem, que pretende construir uma casa, primeiro senta-se e faz as contas para ver se tem com que terminá-la; um general, que pretende declarar guerra, antes faz os planos e mede as forças do seu exército para ver se tem possibilidades de derrotar o seu inimigo. E aqui podemos descer de novo ao nosso caso concreto: quantos de nós temos bagagem suficiente para iniciar e levar até ao fim esta empresa de sermos cristãos a sério e darmos um espírito e um ritmo cristão à sociedade e ao Mundo em que vivemos? O que é necessário para esta empresa?

É preciso ter feito uma opção por Cristo como nosso modelo, e por Ele estarmos dispostos a trocar tudo: até a própria vida. Talvez a maioria de nós ainda não tenha feito esta escolha radical por Cristo. Enquanto as nossas relações com Ele não forem de amor, não serão suficientes para nos mantermos fiéis ao nosso Batismo, nem para dar a própria vida.

Também necessitamos aceitar o Evangelho como critério prático de vida: do que fizermos e de onde estivermos. E muitos de nós, talvez nem a letra do Evangelho conheçamos, quanto mais o seu espírito e as implicações práticas que ele supõe em cada momento.

Precisamos também iluminar com o Evangelho os problemas que vão surgindo. É preciso conhecer a doutrina da Igreja onde nos aparecem critérios de atuação cristã na vida da sociedade a que pertencemos.

Finalmente, é preciso ter uma capacidade de sacrifício, de cruz. Cruz que pode ser a perseguição, a prisão, as torturas, o exílio e a morte. Cruz como a de São Paulo que aparece hoje como “prisioneiro por amor de Cristo Jesus” , como nos diz a 2ª Leitura (Filêmon 9b-10.12-17)  e mais tarde será martirizado por se manter fiel a Cristo e à causa do Evangelho.