Artigos, Bispos › 13/05/2022

Fátima, uma Mensagem do Céu

No dia 13 de maio recordamos a aparição da Virgem Maria, em Fátima, Portugal, no ano de 1917 a três pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta. A mensagem de Nossa Senhora recordava a necessidade de uma volta aos valores da fé para resgatar a dignidade humana, sempre ameaçada por tantos descaminhos que se apresentam na história.

Até hoje, Fátima acolhe milhares de peregrinos que visitam o lugar onde, sobre uma azinheira, a Mãe de Jesus, falando numa linguagem quase que simbólica, suplicava pela paz no mundo. A Virgem de Fátima pede ao ser humano para retornar ao essencial, para ir ao encontro de Deus, para não perder o humano, para ser mais compassivo, justo e solidário. Ela fala a todo que sofre para que recupere a esperança. Ela tem um olhar misericordioso onde o humano marcado pelo horror da guerra, da fome, da injustiça, da mentira e da corrupção possa encontrar paz. Ela alerta sobre o risco de uma apatia crescente em relação a Deus e aos sofredores. E insiste ao ser humano para rever suas escolhas.

Certamente há quem duvide de pastorinhos videntes. A objetividade das aparições, contudo, está no fato de gerarem a experiência da fé no coração das pessoas. Trata-se de um apelo do céu para a conversão ao Evangelho de Cristo. Há duas linguagens para o acesso à realidade: uma é a das visões, do imaginal, do simbólico; outra é a científica e verificável.  Ambas devem estar em relação. Um cientista arraigado em suas pesquisas não precisa abandonar sua espiritualidade ou mesmo deixar de acolher a mensagem de uma aparição mariana.

No intuito de ser profética, uma aparição mariana denuncia a miopia da realidade na qual as pessoas vivem e anuncia caminhos novos de vida e esperança.  Os videntes tornaram-se alvo de muitas críticas, no primeiro instante. Os pastorinhos sofreram torturas psicológicas severas. Eles sofreram muitas dificuldades para anunciar o que lhes fora solicitado.

Essas aparições de Nossa Senhora dão a entender que o sobrenatural não está distante ou ausente dos dramas e perigos pelos quais a humanidade passa. Na infinita comunicação amorosa de Deus se conhece uma miríade de formas, mensagens e sinais.  A Mãe de Jesus participa, de maneira singular, desta comunicação entre Céu e Terra. Suas aparições sempre estão aureoladas de luz, porque iluminam as sombras da realidade na qual a humanidade se encontra.

Diante das crises deste tempo, Fátima ainda é um apelo ao ser humano para que alcance sua verdadeira liberdade de construir um mundo mais justo e fraterno, mais solidário e feliz. Para isso, Nossa Senhora continua a repetir o apelo à oração e conversão.  Nem todos entendem, mas os sinais que lá acontecem há mais de cem anos, revelam algo que está muito além da aparência. São sinais do céu sobre a terra.

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria