Artigos, Bispos › 06/01/2022

Festa do Batismo do Senhor

Com a Festa do Batismo de Jesus, que hoje celebramos, encerramos as lindas e sempre ternas solenidades do Natal. Esta festa litúrgica é ocasião para também refletirmos no nosso batismo e na importância que ele deve ter em nossa vida.

No Evangelho (Lucas 3,15-16.21-22), temos o relato do batismo ministrado por João e que Jesus quis voluntariamente receber. Este batismo era diferente daquele que nós, um dia, pela misericórdia infinita de Deus, recebemos. O de João era simplesmente um rito de aceitação de pessoas no respectivo grupo de discípulos. Recebiam este batismo os que se decidiam mudar de vida, deixando de ser pecadores. Os saduceus e fariseus, visto considerarem-se justos, não aceitavam o referido batismo.

Jesus, que é a própria Santidade, quis receber o batismo de João. Foi sua vontade assumir os pecados de todos nós e colocar-se, desde o início, ao lado dos pecadores para juntamente conosco, percorrer o caminho que conduz à verdadeira libertação dos homens. «Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração», dirá Ele mais tarde. É nesta atitude paciente e de profunda humildade que Ele dá início à sua vida pública. «Não gritará, nem levantará a voz (…) não quebra uma cana rachada, nem apaga um pavio que ainda fumega…», lembra a 1ª Leitura da Missa de hoje (Isaías 42,1-4.6-7).

Ao celebrarmos a Festa do Batismo de Jesus somos convidados também a refletir no batismo que um dia recebemos. Este, não foi um simples rito penitencial, mas algo muito mais importante: trata-se de um Sacramento, que como tal, é um ato divino de salvação e redenção. Com ele, tivemos o pecado original perdoado, fomos enxertados em Cristo, passamos a ser um só com Ele. No Filho, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, nós nos tornamos filhos de Deus. Maior grandeza e dignidade não é possível ter ou desejar. Com este Sacramento passamos a fazer parte da Família de Deus, a ser verdadeiramente o seu Povo. É a este povo, do qual nós fazemos parte pelo batismo, que Ele quer abençoar e dar a sua paz, como nos diz o Salmo Responsorial (Salmo 28). Teremos acesso a tais riquezas, se verdadeiramente aceitarmos a sua Bênção – assumirmos, de uma forma voluntária, a condição de batizados. É verdade: não basta ser batizado, é necessário assumir o batismo. Deus não se impõe. Respeita a liberdade humana. Como é importante tomar consciência da grandeza deste grande Sacramento para o assumir com muita gratidão e entusiasmo!

A dignidade batismal exige de cada membro um comportamento próprio de filhos de Deus. Importa cumprir sempre com muita fidelidade a vontade deste Pai, que é cheio de amor. Os seus mandamentos são expressão clara dessa vontade, e têm sempre em mente a verdadeira felicidade do homem, grandes implicações sociais e o progresso da humanidade. Fugir de cumprir a vontade do Pai é como que renegar o Batismo, é caminhar por caminhos errados de ilusões, que a experiência pessoal e social, tristemente, confirma.

Vivamos com alegria esta Festa Litúrgica, renovando nossas Promessas Batismais e agradecendo a Deus o dom de nosso Batismo.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen