Artigos, Bispos › 15/04/2020

Igreja, anunciadora da Misericórdia

Celebramos hoje o Domingo da Divina Misericórdia.

Ao homem cruel, assustado com os seus crimes, consciente de que merece a rejeição de Deus, o Senhor recorda o seu atributo proclamado por Jesus no Evangelho: a divina misericórdia.

Na sua vida pública, Jesus ensinou-nos o que é a misericórdia. Este ensinamento está resumido nas três Parábolas de São Lucas: a ovelha perdida, a dracma perdida e o filho pródigo (Lucas 15, 1 e seguintes). Ele proclamou bem-aventurados os que usam de misericórdia, porque alcançarão misericórdia.

A misericórdia é o amor gratuito que nunca se cansa de amar; que não espera pela gratidão para continuar a amar, a quem nenhuma ofensa desarma no seu amor: o pastor que procura a ovelha perdida e a recolhe com todo o carinho; a mulher que encontra a moeda de valor perdida, o pai do filho pródigo que recebe o filho perdido de braços abertos.

A misericórdia tem como primeiro fruto a paz de quem a recebe. Os Apóstolos estão cheios de medo da vingança dos judeus, tristes por tudo o que se passou na sexta feira santa; envergonhados pelo modo como se portaram para com o Mestre. Eles não têm paz.

Jesus apressa-se a dar-lhes a verdadeira paz. Não espera que eles o procurem e lhe peçam perdão, mas vai procurá-los e oferece-lhes a sua amizade. Ao dizer-lhes “a paz esteja convosco”, é como se dissesse: “Não vos preocupeis! Eu perdoo-vos tudo e vamos recomeçar o caminho!”.

Também o sacerdote, depois de dar a absolvição, despede o penitente com estas palavras: “Vai em paz!”. É como se dissesse: “Leva contigo a paz que acabas de receber de Deus pelo perdão dos pecados!”.

Nunca agradeceremos suficientemente ao Senhor o ter deixado o Sacramento da Reconciliação e da Penitência. Instituiu-o no Cenáculo, no fim da tarde do Domingo da Ressurreição. É verdadeiramente o Sacramento da misericórdia de Deus. Sem olhar ao número e à gravidade dos pecados, as recaídas, perdoa-nos incondicionalmente.

Na justiça dos homens, a reincidência agrava a pena. Na de Deus, não. Quando disse a Pedro que é preciso perdoar setenta vezes sete, quer dizer: sempre, porque é assim que Ele perdoa.

Uma vez perdoados, os pecados ficam destruídos totalmente. Não reaparecem se houver uma nova infidelidade. Temos a certeza que nos dá a fé de que os nossos pecados, sejam quais forem, uma vez perdoados já não existem.

A transformação do mundo — de triste em alegre; de injusto e imoral em justo e santo, passa pelo sacramento da Confissão. A melhor atitude de um cristão é a de usar este sacramento. E o melhor apostolado é o de ensinar as pessoas a confessar-se e levá-las ao sacramento da Confissão.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen