Artigos, Bispos › 17/12/2020

Jesus, descendente de Davi

No decorrer dos séculos, Deus vai concretizando a promessa na vinda de um Redentor, enviando sinais para que ele seja reconhecido por nós. Em cada Domingo do Advento recordamos um deles: o Senhor virá salvar-nos, será descendente de Davi, nascerá de uma Mulher sempre Virgem, virá à luz em Belém.

Na 1ª Leitura de hoje (2 Samuel 7,1-5.8b-12.14.16) ele nos é apresentado como descendente do Rei David e ocupará eternamente o seu trono. David tinha deixado a lembrança de um reinado grandioso de justiça e de paz. Ele se sente mal por viver em uma casa rica e cômoda, feita de cedro enquanto a Arca da Aliança está debaixo de uma tenda. Assim ele propõe-se construir para o Senhor um templo. A delicadeza do rei David é uma chamada de atenção para todos nós, para aprendermos a acolher bem o Senhor. Em cada Missa, aproximamo-nos da Mesa Celeste para receber o Senhor do Céu e da terra, sob as aparências de pão. O nosso coração está limpo e adornado de virtudes quando nos dispomos a recebê-lo? Que preparação fazemos para cada comunhão, procurando limpar do coração tudo o que desagrada ao Senhor? É fácil deixar-se cair na rotina a aproximar-se para comungar com um coração frio e distraído ou mesmo — o que Deus nunca permita — em pecado mortal. Hoje, para algumas pessoas nada é pecado e só veem virtudes quando olham para dentro de si.

Outra forma de manifestarmos nossa atenção ao Senhor que vem é através do cuidado das nossas igrejas. Os nossos templos, em alguns lugares, deixaram de ser os edifícios mais asseados e artísticos, em confronto com as casas particulares. Uma falsa ideia de pobreza, aliada a uma crescente falta de fé e de amor, leva as pessoas a construir igrejas e objetos de culto sem arte e sem gosto. Um templo bem arranjado é um apelo permanente à nossa fé. Além disso, a comodidade e arranjo da casa de Deus, embora se realize inspirado pela fé, acaba por ser para nós. Deus não precisa de bancos, de luz ou de instalação sonora. Tudo isto é para nos ajudar a viver melhor a nossa fé nas celebrações. Tudo o que está em função do culto, deve ter qualidade. Os santos escolhiam para o culto o melhor que podiam. Assim procedeu o Santo Cura de Ars. Ainda hoje admiramos a riqueza dos paramentos que usava e o arranjo da pequenina igreja que lhe foi confiada.

Também devemos dar atenção a cada pessoa. Cada pessoa, seja qual for o seu estatuto social, é um templo de Deus. Procuramos que vista e se conduza com dignidade? Tratamos as pessoas com sumo respeito, nas palavras e atitudes? Somos sensíveis ao sofrimento, necessidades, dificuldades de nossos irmãos mais pobres?

Deus vai construir um templo maravilhoso no qual o Verbo Encarnado habitará durante nove meses e do qual receberá a natureza humana igual à nossa. Assim nos diz o Evangelho deste Domingo (Lucas 1,26-38). Maria é este templo maravilhoso que o Espírito Santo construiu e adornou de todas as virtudes. A riqueza espiritual deste templo é incomensurável. Ao sauda-la na manhã da Anunciação, o Arcanjo trata-a por “Cheia de Graça”, como nome próprio.

Preparemo-nos para, com Maria, acolher o Senhor que vem, neste Natal.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen