Artigos, Bispos › 13/08/2020

Maria, Arca da Nova Aliança

“Apareceu no Céu um sinal grandioso: uma mulher revestida de sol, com a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça. Estava para ser mãe e gritava com as dores e ânsias da maternidade”. É um trecho da 1ª Leitura desta Solenidade da Assunção de Nossa Senhora (Apocalipse 11,19 a; 12,1-3-6 a. 10 ab).

A visão do Apocalipse — que também se pode referir à Igreja — está cheia de alusões ao mistério da Assunção da Virgem Santa Maria ao Céu que hoje celebramos. Alguns elementos que se referem a este Mistério:

A mulher cheia de graça. O resplendor desta visão celeste alude a Maria, “a cheia de graça”.  Dizer assim é o mesmo que proclamá-la Imaculada, ou seja, aquela que recebeu a participação da natureza divina — a graça santificante — no primeiro momento da sua existência. Assim foi saudada pelo Arcanjo, na manhã da Anunciação. Está revestida de Deus, da Sua graça que recebeu deste o primeiro instante da sua Imaculada Conceição. É para nós um apela à santidade de vida, à felicidade, procurando estar em graça e fazer a vontade de Deus.

A Rainha e Senhora de toda a criação. Ter a lua debaixo dos pés significa domínio, realeza. É Rainha porque é Mãe do Rei; além disso, tomou parte, como nenhuma outra criatura, na recondução do mundo aos planos do seu Criador. Por isso, na Ladainha, nós a invocamos como Rainha dos Anjos, dos Patriarcas, dos Profetas, dos Apóstolos, dos Mártires, da Família. A Realeza de Maria é o melhor e mais generoso dos serviços a todos nós, que somos seus súditos.

A Mãe da Igreja. A maternidade de Maria é dolorosa, porque tem de defender constantemente os seus filhos atacados pela serpente infernal com brutal ferocidade.

A Mãe do Redentor. Maria é Mãe de Jesus, do Redentor do mundo. “Ela teve um filho varão, que há de reger todas as nações com cetro de ferro.” (Apocalipse 12,5).

Quando afirmamos que Maria foi elevada ao Céu gloriosa, em corpo e alma, não queremos apenas dizer que ela já está no Céu. À imitação de Jesus Cristo, que foi revestido de glória imortal ao terceiro dia, saindo glorioso do sepulcro, também é “dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial.”. É nesta felicidade que Nossa Senhora se encontra e é para ela que deseja conduzir-nos, neste nosso caminhar pela terra até ao Céu.

Deus estabeleceu que Maria fosse o caminho mais seguro e mais fácil para Jesus, de tal modo que uma pequena devoção em honra dela é como uma pequena fagulha que em breve dará origem a um grande incêndio de Amor.

A felicidade começa nesta vida pela escolha de Deus. Os que tapam os ouvidos às mentiras de Satanás e procuram no amor de Deus as verdadeiras felicidades encontram-nas, para si e para os outros.

Ao olharmos hoje em espírito para o Céu, onde contemplamos a glória da Mãe de Jesus e nossa Mãe, reafirmamos a nossa profissão de fé nesta verdade eterna: a vida presente é um tempo de prova; o premio será a participação da mesma felicidade de Deus no Céu, para sempre.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen