Artigos, Bispos › 01/09/2022

O projeto de Deus

Seguir Jesus é aceitar em nós a dinâmica de vida do próprio Deus, sua bondade e sabedoria, viver e tentar testemunhar o que Ele diz de si mesmo, ao apresentar-se como “o Caminho, a Verdade e a Vida”. A profunda crise que se vive hoje pode nos impedir de seguir esse plano e só pode ser superada criando espaços tranquilos para meditar e ouvir Jesus e tomar a cruz do discipulado, livre de caprichos humanos e atitudes de conveniência.

Se Jesus é Caminho, Verdade e Vida, também é Luz, ajudando a superar a confusão e a indiferença de muitos batizados que têm medo dele ou de suas exigências. Aceitar as exigências de Cristo será sempre fonte de maior liberdade. Nossa comunhão com o Senhor, especialmente vivida no encontro da Eucaristia, será causa da alegria, causa da transfiguração, causa da nova paixão para encontrar o tesouro precioso, que é o mesmo Jesus.

A coragem cristã é um sinal de força e de vida, e a promessa de uma recompensa muito maior do que o sacrifício exigido. Sentir-se chamado a seguir Jesus é uma graça que nenhum batizado pode desprezar. É um caminho que Ele nos apresenta para atingirmos a verdadeira felicidade. É importante recordar que a felicidade buscada não pode impedir a fidelidade ao Senhor. Nossa fidelidade a Jesus é a fonte de vida e riqueza para cada indivíduo e para a sociedade. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica (294/299): “O mundo foi criado para glória de Deus… a Criação destina-se e orienta-se para o homem, imagem de Deus, chamado a uma relação pessoal com Deus”.

Um coração desapegado, segundo o Evangelho, é um coração comprometido com o Senhor para a renovação da vida pessoal e comunitária. Os responsáveis pela direção e bem-estar da sociedade civil, bem como todos os cristãos inseridos nas realidades do mundo devem ter em mente que não podem esquecer o Plano de Deus.

Esta é a dimensão profética do laicato, chamado a ser uma presença atuante e positiva nas realidades do mundo. A igreja não é um clube social, uma ONG, um gueto, mas deve integrar plenamente os leigos na sociedade em que vivem. O Concílio Ecumênico Vaticano II (LG 31) revisou o papel dos leigos, indicando que os mesmos devem buscar os sinais de Deus, lidar com as realidades do mundo e guiá-las no caminho de Deus.

Esse tipo de pensamento nos lembra as contradições que enfrentamos, ao perceber que se fazem leis ou são tomadas decisões que se esquecem do projeto de Deus, por exemplo, na unidade fundamental da Sociedade que é a família constituída através do matrimônio cristão, quando os falsos direitos são defendidos descaradamente, ou são violados o direito à vida, o direito ao bom nome, promovendo tantas vezes a calúnia e a difamação.

Aqueles que fogem da cruz, buscam facilidades ilusórias através de comportamentos egoístas e muitas vezes até violentos. Quantos cristãos perderam a referência de Deus, não tem mais modelos, porque se esquecem do projeto de Deus e rejeitam a cruz, arrastados pela letargia, pela falta de sentido da vida. Nosso ideal é Cristo. Suas exigências são bênçãos, e seu seguimento é felicidade.

Você quer ser feliz? Busque entender o plano de Deus, renove seu desejo mais íntimo de seguir a Jesus.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen