Artigos, Bispos › 25/09/2020

O Punhal dos Remorsos

No ditado popular se diz que as palavras convencem, mas os exemplos arrastam. Nesta época do “Ano da Pandemia”, trazemos o testemunho da jovem Maria Goretti, nascida na Itália em 1890, menina duma família agricultora, humilde e muito religiosa.

Aos 12 anos Maria Goretti perdeu a vida em honra de sua pureza e da fé. Após resistir ao jovem que quis se aproveitar dela, recebeu cerca de 14 punhaladas. Mesmo agonizando, disse: “Por amor a Jesus, eu perdoo Alessandro. Quero que ele esteja comigo no paraíso”! Em sua canonização em 1950, estavam presentes Assunta, mãe da pequena agricultora, e seu algoz, saído da prisão e convertido.

É impressionante recordar a carta testamento que Alessandro Serenelli, o assassino, nos deixou: “Sou um idoso, já próximo de terminar minha jornada. Olhando para o passado, reconheço que em minha juventude trilhei um caminho falso, o do mal, que me conduziu à perdição. Pela imprensa, pelos espetáculos e pelos maus exemplos, vi que a maior parte dos jovens seguiam esse caminho sem pensar. Nem eu me preocupava com isso.  Pessoas crentes e praticantes, eu as tinha perto de mim, porém, uma força bruta que me empurrava para o mau caminho, não lhes, dava importância.

Aos 20 anos cometi um crime passional… Maria Goretti, agora santa, foi o anjo bom que a Providência colocou no meu caminho para me salvar. Ainda tenho impressas em meu corpo suas palavras de reprovação e perdão. Rogou por mim, intercedeu por seu assassino.

Seguiram 30 anos de prisão. Se não fosse menor de idade, teriam me condenado à prisão perpétua. Aceitei a sentença merecida e expiei minha culpa. A pequena Maria foi minha luz, minha protetora. Com sua ajuda, comportei-me bem na prisão…”

O convertido Alessandro, após sair da prisão, foi acolhido pelos Frades Menores Capuchinhos como um irmão. Concluiu seu testamento exortando: “Eu gostaria que os que lessem esta carta aprendessem a fugir do mal e a fazer sempre o bem. Pensassem desde crianças que a religião, com seus preceitos, não é algo de que se possa prescindir, senão o verdadeiro alento, o único caminho seguro em todas as situações da vida, até as mais dolorosas. Paz e Bem!”

Que este testemunho da jovem Maria Goretti e de seu agressor convertido, sejam luz para nossos jovens e famílias, pois esta é a vida dos santos!

Dom Hélio Adelar Rubert – Arcebispo de Santa Maria